Comércio justo ajuda a fomentar o artesanato e a arte popular no Brasil

Loja Paiol e Rede Artesol lideram movimento para trazer dignidade ao setor, que é fonte de renda de 10 milhões de pessoas

Matéria realizada e publicada por Ana Sachs em https://revistacasaejardim.globo.com/artesanato/noticia/2023/01/comercio-justo-ajuda-a-fomentar-o-artesanato-e-a-arte-popular-no-brasil.ghtml

Frequentemente associado a pequenos produtores agrícolas, o conceito de comércio justo – que busca promover padrões produtivos e comerciais responsáveis e sustentáveis – tem ganhado força no mercado de artesanato e arte popular.

A aposta é em relações mais próximas e humanas com os artesãos, para tentar trazer dignidade ao trabalho destes pequenos empreendedores, muitas vezes explorados por comerciantes ou pouco valorizados até mesmo pelo poder público.
Uma das maiores organizações do setor, a Artesol nasceu em 1998 e, desde então, trabalha com ações de fomento ao artesanato e à arte popular no país com base em uma metodologia própria de estruturação de negócios pautada pelos princípios do comércio justo.

“Idealizamos e mantemos uma rede de artesãos, artistas e associações onde o critério para se tornar membro não é o produto em si e, sim, o sistema produtivo, desde que o artesanato seja de tradição cultural”, diz Jô Masson, diretora-executiva da entidade.

Peças da coleção Raízes do Vale, criada pela Paiol em parceria com artesãos do Vale do Jequitinhonha — Foto: Alexandre Disaro / Divulgação

Desde 2006, a Artesol integra a Organização Mundial de Comércio Justo (Word Fair Trade Organization), e as peças criadas nos projetos da rede são vendidas na Artiz, loja no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Além do trabalho em campo, com mentorias e capacitações para os artesãos e associações de pequenos produtores, a organização também tem um canal na internet com mais de 180 aulas gratuitas.

“Um dos maiores exemplos do impacto dessas práticas é a Central Veredas, associação no noroeste de Minas Gerais com artesãs que plantam, cardam, tingem e tecem o algodão natural do cerrado brasileiro. Atualmente, após diversos treinamentos com a Artesol, a Veredas gera trabalho e renda digna para as artesãs que estão sempre inovando e dialogando com o mercado contemporâneo, mas sem perder suas raízes”, conta Jô.

Artesãs do grupo Arte e Talento, de Barreirinhas (MA), trabalham juntas na produção de peça — Foto: Theo Grahl / Divulgação

Artesanato como meio de vida

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de artesanato movimenta R$ 50 bilhões por ano e é fonte de renda de mais de 10 milhões de pessoas. Mas ainda falta valorização e há pouco incentivo para o ofício, segundo Jô. “É importante ressaltar a necessidade de políticas públicas que priorizem este setor no espectro da economia criativa, considerando seu potencial de relevância patrimonial, mas também de desenvolvimento social e econômico”, destaca.

O trabalho dos artesãos atua na preservação da memória artística e cultural nacional. Sem incentivos, todo esse acervo pode se perder. “Para que ele [artesão] ou o artista popular continue produzindo, é necessário que consigam ter as suas necessidades básicas atendidas“, avalia Lucas Lassen, diretor criativo da Paiol, uma das maiores lojas de artesanato e arte popular da cidade de São Paulo.

Artesãs Anísia Lima fazendo peça da Coleção Raízes de Vale desenvolvida em parceria com a Paiol — Foto: Alexandre Disaro / Divulgação

Para ele, é muito importante incentivar principalmente os mais jovens a acreditarem no ofício de artesão como um meio de subsistência. Sem essa visão de futuro, muito da arte popular brasileira pode se perder ao longo do tempo. “Se o jovem artesão não for incentivado, se ele não enxergar que a atividade é sustentável do ponto de vista econômico e, infelizmente, a tradição vai deixando de existir“, avalia.

Na loja Paiol, um dos cases recentes envolve uma das regiões mais carentes do Brasil, o Vale do Jequitinhonha. “Eu me mudei para Turmalina, em Minas Gerais, durante a pandemia, e este foi um período no qual desenvolvemos diversas oficinas para a criação de novos produtos. Nelas, as artesãs mais experientes ensinaram suas principais técnicas para artesãos mais jovens. Um dos resultados deste trabalho foi a criação da coleção Raízes do Vale“, comenta o empresário.

Na avaliação de Lucas, um dos pontos mais sensíveis – o valor justo pelos produtos – exige diálogo e transparência para que a relação produtor/comerciante aconteça de forma equitativa.

Quando cheguei em alguns locais, percebi uma certa resistência pelo fato de eles já terem sido muito explorados. Por isso, a minha postura sempre foi muito transparente no sentido de mostrar que o valor cobrado do cliente final inclui custos como frete, ações de divulgação, aluguel, salários de equipe, impostos, entre outros. Se estes custos não forem considerados, o negócio não se sustenta e acaba afetando a sustentabilidade do trabalho deles também“, explica.

Grupo de de artesãos passa por formação em projeto da Rede Artesol — Foto: Theo Grahl / Divulgação

Conheça a nova cara da Galeria Metrópole, que forma polo criativo no centro de São Paulo

Designers e empresários migram para o ícone modernista da cidade e querem atrair outro público

Matéria realizada e publicada por Vitória Macedo em https://guia.folha.uol.com.br/passeios/2023/01/conheca-a-nova-cara-da-galeria-metropole-que-forma-polo-criativo-no-centro-de-sao-paulo.shtml

Quem hoje entra na Galeria Metrópole se depara com um cenário um tanto diferente daquele mar de agências de turismo e lojas de câmbio que, nas últimas décadas, povoaram o prédio na região central de São Paulo. É cada vez mais comum o vaivém de uma turma mais moderninha vagando por ali, entre cafés e livrarias, abrindo restaurantes veganos, galerias de arte e casas voltadas ao artesanato brasileiro.

Ícone da arquitetura modernista, o edifício histórico projetado entre os anos 1950 e 1960 por Gian Carlo Gasperini e Salvador Candia já foi, em seus primórdios, um reduto da elite paulistana. Com o fim da pandemia, que fechou as portas de muitos locais tradicionais por ali, a galeria vive uma nova fase.

Galeria Metrópole, projeto de Giancarlo Gasperini – Nelson Kon

Uma das desbravadoras dessa onda é Thaís Mozer, que abriu em setembro a loja de sua confecção, Senhor Coelho, no mesmo box onde até 2020 funcionou o bar Mandíbula. Parte da parede com tijolos à mostra que havia ali se manteve, assim como o balcão onde eram servidos drinques, que hoje é usado como banco para as peças ficarem expostas na vitrine. A escolha de se mudar para a Metrópole pareceu natural. Ela mora no prédio da frente, o Edifício Louvre.

Juliana Amorim é outra que se instalou na galeria recentemente. Na entrada da sua loja, Ju Amora, uma grande frase em neon decora a parede: “Seu real dever é salvar o seu sonho”. “Quero me lembrar disso todos os dias porque não é fácil empreender”, afirma Amorim, que foi atriz e já trabalhou na Europa. Em um ambiente colorido e tomado pelo cheiro de incenso, ela vende diferentes tipos de bancos que produz e pinta.

Ela começou no bairro de Perdizes, mas diz que sempre teve uma paixão pela Galeria Metrópole. Durante a pandemia, afirma ter encontrado um cenário de abandono por ali, com pouca gente circulando e muitas lojas fechadas. Ainda assim, resolveu fazer uma aposta. “Eu comecei a ver várias pessoas olhando para o centro de novo, porque o centro é muito efervescente e faz transbordar a criatividade”, afirma.

Retrato da nova geração de artistas e designers que estão mudando a cara da Galeria Metrópole, antes voltada a agências de turismo e que, após fechamentos na pandemia, vive uma nova fase. Na foto Ju Amora e sua obra, da loja homônima. – Folhapress

Desde que se Amorim se mudou para a Metrópole, alguns outros nomes da indústria criativa vieram junto. Lucas Lassen, por exemplo, abriu uma unidade da Paiol na galeria no mês passado. Seu estabelecimento é uma loja de artesanato brasileiro inaugurada há 15 anos que diz buscar desmistificar a ideia de que esse tipo de arte é elitizado. “A Paiol acaba sendo um link entre esses mundos, ela condensa e amplia, faz conexões, gera acesso para as pessoas conhecerem o Brasil“, diz o curador e empresário.

Ele mantém a sua unidade principal na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, além de outra loja no shopping Center 3, na avenida Paulista. A nova Paiol vem num plano de abrir outras. A clientela, no entanto, ainda é pequena na Galeria Metrópole. “Vamos precisar fazer um trabalho de formação de público”, afirma. “A gente está falando de jovens, de pessoas com menos de 40.

Esse movimento de renovação de ares citado por ele vem acontecendo em todo o entorno —e não está imune às críticas de que promove uma gentrificação. “É preciso entender que a degradação do centro também vem pela exclusão. Eu a vejo como uma via de mão dupla. A gente tem que cobrar [a prefeitura e a segurança pública]“, afirma.

Conheça os novos nomes criativos da Galeria Metrópole

Quem também traz brasilidade para a Metrópole é Antônio Castro, estilista e designer da Foz, fundada em 2020, que une técnicas de artesanato em peças desenvolvidas com grupos de Alagoas, seu estado natal. Ele se mudou para São Paulo em 2014 para fazer faculdade de moda e ficou no centro. Quando começou a procurar um lugar para abrir um espaço e receber os clientes em seu ateliê, olhou para a galeria com atenção.

É ali que ele vai inaugurar, nesta sexta-feira, dia 27, o espaço físico da Foz, com paredes brancas texturizadas, chão de cimento queimado verde, cadeiras de madeira e araras com flores e pássaros esculpidos. “As iniciativas que já estão ocupando esse espaço têm muito a ver com o que eu acredito”, diz. “Ainda há poucas marcas de roupa aqui, mas para o caminho de um design autoral faz sentido que a moda venha para cá também”.

Todos eles dão o crédito de olhar mais para a região ao arquiteto e designer de móveis Paulo Alves. Em 2020 ele se mudou para o edifício onde fica a Galeria Zarvos, bem em frente à galeria Metrópole, e abriu sua loja no térreo.

Retrato da nova geração de artistas e designers que estão mudando a cara da Galeria Metrópole, antes voltada a agências de turismo e que, após fechamentos na pandemia, vive uma nova fase. Na foto Paulo Alves e sua obra, do estúdio Paulo Alves. – Folhapress

Alves encabeçou o selo Criativos do Centro, que tenta dar uma unidade a esse movimento. “Eu fico no pé de todo mundo para vir para cá. De preferência para a minha galeria”, diz o designer, que espalhou vários de seus bancos por ela.

Apesar da fachada discreta da Zarvos, Alves faz da vitrine que dá para a calçada um cenário. Hoje sua loja tem 260 metros quadrados —que alugou pelo mesmo valor que, segundo ele, pagava em 60 metros quadrados na Vila Madalena.

O artista pernambucano Derlon também foi influenciado por Alves e abrirá seu ateliê na Zarvos nos próximos meses, com planos de instalar suas obras inspiradas na xilogravura popular. No primeiro andar, abrirá uma loja de tapetes, a By Kamy, que fará a sua estreia durante a Design Weekend, que acontece em março.

A edição de 2022 do evento, inclusive, já havia jogado luz sobre os artistas que estão no centro, uma vez que contou com circuito na região. Já neste ano, a Feira da Rosenbaum acontecerá na Zarvos, em várias lojas que estão vazias.

“Tem que ter um movimento coletivo. Quanto mais razões as pessoas tiverem para vir para o centro, mais elas vão vir”, diz Alves. Lassen, que tem loja em shopping e em galeria, acredita que a grande diferença entre os dois ambientes talvez seja o senso de coletividade que se criou ao redor da Metrópole —com seus 350 pontos comerciais— e dessa cena criativa que borbulha no centro pós-pandemia. “A gente está vindo reconstruir aqui juntos. A gente vai dar essa cara para a Metrópole.

Galeria Metrópole
Av. São Luís, 187, República, região central

Foz
Espaço físico da marca do designer e estilista Antônio Castro, onde apesenta suas peças de roupa, bolsas e decoração. Inaugura nesta sexta, 27.
2º andar, loja 15

Ju Amora
Loja de bancos decorados e produzidos por Juliana Amorim. Eles tem funcionalidades diferentes: servem para ser mesa, levar ao piquenique ou decorar o quarto da criança.
1º Andar, loja 15

Paiol
Loja de artesanato brasileiro, com curadoria de Lucas Lassen.
1º Andar, loja 25

Senhor Coelho
Espaço físico da fábrica de uniformes Senhor Coelho, fundada por Thaís Mozer. Além de servir para atender aos clientes, ela tem camisas e coleções de roupas para vender.
2º Andar, loja 40

Galeria Zarvos
Av. São Luís, 258, Consolação, região central

Estúdio Paulo Alves
Espaço onde ficam a mostra os trabalhos do designer e arquiteto Paulo Alves, focado na madeira.
Térreo

Paiol abre terceira unidade na histórica Galeria Metrópole

Com produtos artesanais a partir de R$ 30 reais, loja chega ao centro como ótima opção para fazer as compras de Natal

Matéria realizada e publicada por Angelo Miguel Oliveira Lima em https://saladanoticia.com.br/noticia/43917/paiol-abre-terceira-unidade-na-historica-galeria-metropole

Uma das principais lojas de artesanato e arte popular da cidade de São Paulo, a Paiol abre sua terceira unidade trazendo a brasilidade para o centro. No dia 10 de dezembro, sábado, sua nova loja na Galeria Metrópole abre as portas com um coquetel aberto ao público, com peças de mais de 400 artistas populares e comunidades artesanais das cinco regiões do país e com projeto assinado pelo escritório Ori Design de Interiores.

Segundo Lucas Lassen, fundador e diretor criativo da marca, a escolha pelo prédio histórico no centro de São Paulo faz parte de um movimento coletivo de retomada do centro pelos criativos. Nomes como Paulo Alves, Estúdio Niz, Ju Amora e Instituto Socioambiental já estão na região que, em breve, deve receber outros ateliês, showrooms, lojas e estúdios. “Desde o começo do ano, tem havido uma movimentação de artistas e designers com o objetivo de transformar a região da Avenida São Luís em uma espécie de distrito que mistura cultura, arte e design, assim como ocorre em várias outras cidades do mundo. A Paiol não poderia ficar de fora”, afirma. 

Lucas Lassen, diretor criativo da Paiol e Peça de artistas Sil da Capela – Fotos Alexandre Disaro

A Galeria Metrópole, que carrega o título de um dos prédios mais icônicos da cidade, foi projetada em 1960 pelos arquitetos Salvador Gandia e Gian Carlo Gasperini. O prédio se tornou uma referência arquitetônica importante na cidade por ser um projeto que se integra ao espaço urbano ao seu entorno, misturando comércio e espaços culturais, algo que foi se dissipando ao longo do tempo e dando lugar a agências de viagens e casas de câmbio. 

Galeria Metrópole – Foto R.F. Pereira

Na pandemia, muitas dessas lojas acabaram fechando e designers e artistas – que sempre tiveram a vontade de estar no centro – foram ocupando. Isso vem de uma percepção que compartilhamos que é a ideia de que a Galeria deve fazer jus à sua função inicial de refletir um pouco da criatividade, da cultura e do jeito de ser do brasileiro. Uma das melhores formas de fazer isso é trazendo a produção criativa brasileira para o centro, tanto da cidade, quanto da discussão”, finaliza. 

A abertura da loja deve ocorrer no sábado, 10 de dezembro, das 13h às 20h, na Galeria Metrópole, na Avenida São Luís, 187, na República, São Paulo. 

Serviço

Abertura | Paiol Metrópole
Onde: Galeria Metrópole – Avenida São Luís, 187, República – São Paulo
Local: 1º andar, loja 25
Quando: Sábado, 10 de dezembro de 2022
Funcionamento: de Segunda a Sábado, das 11h às 19h
Estacionamento no local
Pet friendly

No Vale do Jequitinhonha, novas gerações de artesãs mantém vivo o saber-fazer ancestral da cerâmica

Enaile Almeida e Laura Portugal sob orientação de Alessandra Dantas e Luiza Glória. (site UFMG.BR)

No Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a cerâmica é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do estado. Para diversas famílias, os processos de transformação do barro representam uma força ancestral de cultura e renda. Nessas comunidades, jovens artesãs têm garantido a conservação das tradições do artesanato do vale possibilitando que esse conhecimento siga ecoando para as novas gerações. Esse cenário foi apresentado na reportagem da Rádio UFMG Educativa, que trouxe os relatos das artesãs Andreia Andrade e Cibele Dias, além da perspectiva do fundador da loja de artesanato Paiol, Lucas Lassen. 

Herança Cultural 
 
Muitas das jovens que hoje se dedicam aos processos de transformação do barro são herdeiras das grandes mestras da cerâmica do Vale. Uma delas é Andreia Andrade, do Vale do Araçuaí. Sua avó, Isabel Mendes da Cunha, ou Dona Isabel, é internacionalmente reconhecida como a maior “bonequeira” de Minas. Em sua comunidade, construiu uma verdadeira escola de arte, onde diversos familiares e amigos aprenderam as técnicas tradicionais da cerâmica. Criada em meio ao artesanato, Andreia Andrade desenvolveu o interesse pelo ofício ainda na infância, e hoje é uma das principais responsáveis pela preservação dos conhecimentos que herdou de Dona Isabel. “Muita gente sobrevive fazendo bonecas e minha avó sempre teve a disposição de ensinar. Esse é o mesmo interesse que eu tenho: ensinar. Em Santana, ela deu um ofício para muita gente”, compartilha a artesã.

Renovação e Tradição 
 
Mesmo buscando garantir a preservação das raízes da cerâmica, as novas gerações de artesãs exploram a reinvenção das técnicas tradicionais. De acordo com a artesã Cibele Dias, de 21 anos, “algumas práticas, como a pintura, mudaram muito nos últimos anos. É importante saber renovar sem abrir mão da tradição.” 

Escute a reportagem da Rádio UFMG Educativa: 

Produção 
Esta reportagem foi realizada por Enaile Almeida e Laura Portugal sob orientação de Alessandra Dantas e Luiza Glória. 
(Rádio UFMG Educativa)

BAZAR BENEFICENTE REÚNE MAIS DE 30 MARCAS EM PROL DE ABRIGOS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Por Angelo Miguel Oliveira Lima, matéria disponível no site Sala da Notícia
Fernanda Todesco e Alexandre Disaro
Bazar Decor Social – Foto Fernanda Todesco

Além de roupas, itens de decoração e comidinhas, o bazar também conta com evento de adoção de animais

No próximo final de semana, de 25 a 27 de novembro, acontece na Tidelli Pinheiros a segunda edição do Bazar Decor Social, organização sem fins lucrativos que realiza reformas em abrigos de São Paulo. “Nos últimos quatro anos, passamos por mais de dez abrigos, sempre com o objetivo de promover um ambiente de moradia saudável, alegre e acolhedor para crianças e adolescentes”, afirma a idealizadora e CEO da ONG Decor Social, Katia Perrone. 

Com curadoria de Cecília Rima, diretora da atacadista do setor de decoração Casa Bonita, o Bazar reúne 36 expositores das áreas de moda, beleza, pet, comidinhas, artesanato e decoração. “Por ser uma importante fonte de geração de recursos para o projeto, buscamos selecionar marcas que já têm essa preocupação com o social”, completa Cecília.

Kátia Perrone (à direita) e equipe do Decor Social

Nesta edição, o destaque fica para o setor de casa e decoração, trazendo o melhor do artesanato brasileiro, com marcas como Anesso, Paiol, Casa Bonita, Loja Oca, Estúdio Avelós, entre outros. “Como uma marca que trabalha diretamente com impacto social por meio da valorização do artesanato brasileiro, nós não poderíamos ficar de fora dessa iniciativa que reúne tantos criativos em prol de uma mesma causa”, afirma Zizi Carderari, diretora criativa do Estúdio Avelós. 

Os parceiros que participam destinam como doação uma parte de seu faturamento no evento. “Essa é uma oportunidade tanto para nós que vendemos, quanto para quem compra, porque é o tipo de evento onde todos ganham. Você tem a chance de sair com um objeto exclusivo, de altíssima qualidade e ainda apoiar uma causa que merece muita atenção”, revela Lucas Lassen, diretor da Paiol. 

Lucas Lassen, diretor criativo da Paiol – Foto Alexandre Disaro

Adoção de Pets

Em parceria com a ONG Ampara Animal, o evento deve receber animais resgatados, que foram abandonados ou vítimas de maus-tratos. Além da adoção de cães e gatos é possível comprar alguns produtos para os bichinhos. Os candidatos devem passar por uma entrevista que avaliará se estão aptos à adoção. 

Desde 2018, a Decor Social já realizou 11 projeto, impactando mais de 1 mil crianças e adolescentes, com o apoio de mais de 630 profissionais e voluntários, teve 150 ambientes decorados, mais de 300 empresas parceiras e impactou mais 4 mil pessoas.

Bazar Beneficente DECOR SOCIAL

Data: 25, 26 e 27/11 – Sexta, sábado e domingo               

Horário: das 10h às 19h

Local: Loja Tidelli Pinheiros – Av. Pedroso de Morais, 1684 – Pinheiros

Bazar beneficente reúne mais de 30 marcas em prol de abrigos

Da Redação 23/11/2022, matéria disponível no Blog do Amaury Jr.

A segunda edição do Bazar Decor Social, organização sem fins lucrativos que realiza reformas em abrigos de São Paulo, acontecerá do dia 25 a 27 de novembro na Tidelli Pinheiros. Com curadoria de Cecília Rima, diretora da atacadista do setor de decoração Casa Bonita, o Bazar reúne 36 expositores das áreas de moda, beleza, pet, comidinhas, artesanato e decoração.

(Foto: Fernanda Todesco/Divulgação)

Nesta edição, o destaque fica para o setor de casa e decoração, trazendo o melhor do artesanato brasileiro, com marcas como Anesso, Paiol, Casa Bonita, Loja Oca, Estúdio Avelós, entre outros. Os parceiros que participam doam uma parte de seu faturamento no evento para as ações do projeto. Em parceria com a ONG Ampara Animal, o evento deve receber animais resgatados, que foram abandonados ou vítimas de maus-tratos. Além da adoção de cães e gatos, é possível comprar alguns produtos para os bichinhos. Os candidatos devem passar por uma entrevista que avaliará se estão aptos à adoção.

Estúdio Avelós. (Foto: Manu Oristânio/Divulgação)
Projeto Desenvolvido em Abrigo – Sala + ambiente de estudos. (Foto Maria Inês Antich/Divulgação)
Loja Paiol. (Foto Alexandre Disaro/Divulgação)

GLMRM indica 4 roteiros culturais para se fazer a pé por SP

Esta é pra turma que gosta de respirar design, artesanato e passeios culturais. GLMRM indica 4 roteiros bacanas pra se fazer a pé por São Paulo, já que todos ficam próximos das estações de metrô Fradique Coutinho e Faria Lima, na Linha Amarela, e da estação Vila Madalena, na Linha Verde. Se joga!

1-Paiol

O espaço de presentes e decoração funciona desde 2007, com unidades na Rua Fradique Coutinho, na Vila Madalena e no Shopping Center 3 na Avenida Paulista. Contando com mais de 400 peças de diversas técnicas como cerâmica, madeira, palha, pedras e tecelagem, é possível encontrar artigos a partir de R$30,00, podendo serem compradas de forma presencial ou no site da loja.

Rua Fradique Coutinho, 172 – Pinheiros (3 minutos à pé da Estação Fradique Coutinho)
Contato: (11) 98486-8918 / @lojapaiol


2-Museu A CASA do Objeto Brasileiro

Ficando 10 minutos à pé da Estação Faria Lima do metrô, a instituição sem fins lucrativos é um ponto importante da valorização do “feito à mão” no que se refere ao design e artesanato brasileiro. Até o final de novembro, é possível conferir a exposição do “8º Prêmio Objeto Brasileiro”, evento bienal que visa contemplar o melhor da produção artesanal do país. Nesta edição, a mostra reúne cadeiras, vasos, esculturas, joias e roupas.

Avenida Pedroso de Morais, 1216 – Pinheiros
Contato: (11) 94254-1179 (Whatsapp) / @museuacasa

3-Ateliê Cristiane Mohallem

Com trabalhos reconhecidos em exposições pelo Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Polônia e Itália, a artista Cristiane Mohallen produz em seu ateliê, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, bonitas peças em bordado e, no sábado (19), das 14h às 18h, recebe o público para visitação e para falar sobre sua técnica que usa agulha e tecido para criação de peças que remetem a pinturas realistas.

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1903 – Cj 45 (12 minutos à pé da Estação Faria Lima)
Contato: (11) 99567-1253 / @cristianemohallem

4-Estúdio Leh

Esta dica é pra quem quiser andar um pouquinho mais, mas vale a pena dar uma esticada até a Vila Madalena, para visitar o espaço. Arquiteta de formação, Maria Helena Emediato é uma apaixonada pelo artesanal baseada em sua infância vivida entre São Paulo e algumas cidades de Minas Gerais. Tenmdo como referência a cerâmica do Vale do Jequitinhonha, em seus trabalhos mais recentes, é possível encontrar esferas modeladas, pintadas e queimadas por artesãs que se misturam com esferas de diferentes tipos de madeira e pedrarias vários tamanhos, formando luminárias, colares, pulseiras e outras joias para o corpo e para a casa. Visitas são permitidas com agendamento.

Rua Girassol, 796 – Sala 05 (11 minutos à pé da estação Vila Madalena)
Contato: (11) 98199-8925 / @estudioleh

TOUR DESIGN E ARTESANATO EM SAMPA

Roteiro que pode ser feito à pé, inclui museu, loja e visitas a ateliês

Mesmo sendo a principal metrópole das Américas, quando se fala em turismo, a cidade de São Paulo costuma estar associada ao turismo de negócios e à agitação da vida noturna. Entretanto, um dos seus diferenciais está na grande oferta de atividades culturais. E para quem gosta de design, arte popular e artesanato, estar em São Paulo traz algumas vantagens, visto que é possível encontrar exposições, ateliês e lojas especializadas em artigos de todo o Brasil.

1 – PAIOL

Em funcionamento desde 2007, a Paiol é o endereço certo para quem busca por presentes e peças decorativas. Com duas unidades, uma na Rua Fradique Coutinho e outra no Shopping Center 3, a loja conta com mais de 400 peças de diversas técnicas e materiais como cerâmica, madeira, palha, pedras, tecelagem, entre outros. É possível encontrar artigos que partem de R$ 30,00, mas com grande valor cultural dentro das comunidades onde são produzidas. As peças também podem ser encontradas no site da loja.

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 172, Pinheiros

Distância: 3 minutos à pé da estação Fradique Coutinho – Linha Amarela

Contato: (11) 98486-8918 WhatsApp | @lojapaiol

2- Museu A CASA

O Museu A CASA do Objeto Brasileiro é uma instituição sem fins lucrativos que promove diversas iniciativas de valorização do artesanato e do design brasileiro. Geralmente, suas exposições e eventos trazem trabalhos que resultam da perfeita união entre design e artesanato. Localizado na Pedroso de Morais, até o final de novembro o museu apresenta a exposição do 8º Prêmio Objeto Brasileiro, evento bienal que premia e expõe o melhor da produção criativa brasileira. Nesta edição são 22 objetos de todas as regiões do país, entre cadeiras, vasos, esculturas, joias e roupas.

Endereço: Avenida Pedroso de Morais, 1216, Pinheiros

Distância: 10 minutos à pé da estação Faria Lima – Linha Amarela.

Contato: (11) 94254-1179 WhatsApp | @museuacasa

3 – Ateliê Cristiane Mohallem

Para quem deseja ter uma experiência com o bordado, a artista Cristiane Mohallem realiza um dia de visitação ao seu estúdio, onde recebe o público, interage e apresenta um pouco de sua técnica na qual usa a agulha e a linha para “pintar” telas realistas. Psicóloga de formação, Cristiane começou a pintar quando realizava trabalhos de Arteterapia com seus pacientes. Mais tarde, já trabalhando de forma autoral, ela passou a utilizar a linha como tinta e o tecido como tela, o que acaba resultando em obras que, à primeira vista, parecem pintura, mas que com um pouco mais de proximidade se revelam como bordado. Os alinhavos sobrepostos em cores distintas trazem toda a sensação de luz e sombra evidenciado nas pinturas. A autenticidade de seu trabalho foi constatada em exposições pelo Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Polônia e Itália.

Endereço: Av. Faria Lima, 1903 – Conjunto 45

Distância: 12 minutos à pé da estação Faria Lima

Contato: (11) 99567-1253 | @cristianemohallem

Dia de Visitação: 19 de novembro, sábado, das 14h às 18h

4 – Estúdio Leh

Para quem quiser andar um pouquinho mais, vale dar uma esticadinha até a Vila Madalena, bairro vizinho, para visitar o Estúdio Leh. Arquiteta de formação, Maria Helena Emediato se apaixonou pelo feito à mão logo cedo por ter uma infância dividida entre São Paulo e algumas cidades de Minas Gerais, onde o artesanato e a arte popular faziam parte do cotidiano. Quando decidiu abrir o Estúdio, ela se aprofundou nas origens da cerâmica no Vale do Jequitinhonha, tradicional região de exímios ceramistas. Em seu trabalho mais recente, esferas modeladas, pintadas e queimadas por artesãs se misturam com esferas de diferentes tipos de madeira e pedrarias em diferentes tamanhos, formando luminárias, colares, pulseiras e outras joias para o corpo e para a casa. Lena, como é conhecida, recebe visitantes com agendamento.

Endereço: Rua Girassol, 796, Sala 05 – Vila Madalena

Distância: 11 minutos à pé da estação Vila Madalena – Linha Verde

Contato: (11) 98199-8925 | Instagram: @estudioleh

Ursa risonha e Olinda

Isolamento fez jornalista se descobrir como artista

Aline Feitosa focou no trabalho com barro, que sempre esteve presente em sua vida.

Aline Feitosa

QUEM É 

Aline Feitosa é formada em Jornalismo, profissão na qual atuou por 25 anos em Olinda, PE. Agora se dedica a criações artesanais à frente do Pequeno Ateliê, no mesmo Estado.

Uma ursa risonha, a pureza das crianças e uma brincadeira popular marcam o Carnaval pernambucano todos os anos. A La Ursa passa e quer dinheiro para brincar, atestando o quanto o brasileiro envolve suas festas com cor e folclore. Mas não só os festejos do país são coloridos. O casario de Olinda está perto com mais tonalidades alegres e suas platibandas. Um patrimônio que evoca as memórias de Aline Feitosa.

Depois de 25 anos atuando como jornalista, ela descobriu que esses ícones se tornariam um novo rumo em sua vida. “Olinda é um lugar cosmopolita e a arte pulsa muito aqui. O Carnaval é criativo, tem uma pegada política forte”, ela conta, sempre atenta e envolvida no cenário cultural da cidade. E foi natural quando a pandemia interrompeu seu trabalho jornalístico, que ela desse abertura a essa arte pulsante.

Pouco antes que o mundo se fechasse, ela resolveu dar vazão ao trabalho com o barro, que sempre esteve presente em sua vida. Na época, Emmanuel Cansanção, artista pernambucano, foi quem deu um empurrão para que isso acontecesse. “Comecei a fazer cerâmica como hobby até que um dia meus amigos passaram a querer comprar”, ri.

Quando a pandemia se instalou, os trabalhos no jornalismo foram por água abaixo e o plano B parecia perfeito para não enlouquecer com as horas vagas. “Foi impressionante que a notícia se espalhou sem que eu divulgasse ou fizesse assessoria de imprensa para mim mesma. A La Ursa foi a primeira peça e não parei mais”, conta.

A peça ficou popular nas redes sociais sem muito esforço de divulgação.

Depois veio à mente o casario de Olinda, com as platibandas – recursos da arquitetura para esconder o telhado, na fachada, muito usado antigamente. “Amo passear pelo centro histórico de Olinda. Comecei a moldá-las em miniaturas e deu certo”. Atualmente, Aline produz em média 300 peças por mês, entre La Ursas e casinhas – que se tornam cachepôs de plantas, outra grande paixão dela.

As curvas do casario de Olinda viraram arte nas mãos de Aline

As pessoas me pedem para fazer a casa de sua avó, ou a que viveram na infância e assim entro na história delas. Conservar a memória e um patrimônio como esse no Brasil é extremamente importante.

Ícones brasileiros

Quando um cachepô de plantas se alia a histórias populares brasileiras, adiciona uma camada mais interessante à decoração. “A riqueza de detalhes, as cores vivas e toda a representação da cultura popular faz com que o trabalho da Aline se destaque entre outros jovens artistas”, conta Lucas Lassen, curador e diretor criativo da Paiol, que vende suas criações.

“Nesses dois anos vendi seis mil itens. De forma muito natural, muito linda, tudo aconteceu. Sempre trabalhei com arte e me alimentei disso a vida toda. Agora sou a Aline artista”, ela diz, animada.

Veja as obras de Aline Feitosa

Nova geração mantém viva a tradição da cerâmica, em Minas Gerais

Artesãs da geração Z são estimuladas por meio da parceria com grandes marcas de decoração e da atualização dos produtos que confeccionam

Cibele e Jaqueline Dias de Souza são irmãs e da quinta geração de artesãs da família. divulgação/CASA CLAUDIA

A tradição da transformação do barro em cerâmica está ganhado novas guardiãs no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Jovens entre 16 e 25 anos, filhas, netas, bisnetas e tataranetas de artesãs que, mesmo imersas no universo tecnológico da geração Z, que são os nascidos após 1995, entenderam o artesanato como uma ferramenta de afirmação da identidade. “O barro e o que vem a partir dele é o reflexo do nosso cotidiano. Não tem como fugir, porque para Lodo canto que você olha tem cerâmica”, afirma Cibele Dias de Souza, de 21 anos, que nasceu na zona rural de Turmalina, e que faz parte da quinta geração de ceramistas da família.

A artesã Jaqueline Dias de Souza, de 25 anos, irmã de Cibele, até tentou seguir outros caminhos profissionais, mas a paixão, segundo ela, está no sangue. Com formação técnica em agropecuária, ela trabalhou por sete anos como educadora social até 2021, o que lhe garantia uma fonte de renda maior. “Quando comecei, o artesanato não era tão valorizado como é hoje. Poucos artesãos conseguiam viver bem apenas com o artesanato, mas agora, graças a novos projetos e parcerias, a situação parece estar mudando e fazendo com os jovens daqui vejam essa atividade com outros olhos”, afirma.

Anísia Lima de Souza, artesã e mãe de Jaqueline e Cibele. divulgação/CASA CLAUDIA

Segundo Anísia Lima de Souza, artesã e mãe de Jaqueline e Cibele, alguns fatores contribuem para essa mudança de percepção das filhas e de outros jovens artesãos dessa faixa etária. O desenvolvimento de oficinas, a parceria com grandes marcas de decoração e a criação e atualização de suas linhas de produtos são alguns deles. “Quando nós achamos que a pandemia nos colocaria em dificuldades, fomos surpreendidos com a chegada de pedidos grandes para marcas como a Camicado, TokStok e a Casa Bonita”, revela.

As parcerias foram moldadas por Lucas Lassen, fundador e diretor criativo da Paiol, loja de artesanato que atua há 15 anos em São Paulo e que reúne peças do Brasil inteiro. Acostumado a percorrer o país fazendo curadoria para a própria loja e consultorias criativas para outras marcas, ele se encantou com o Vale há 12 anos por conta dos tradicionais filtros de barro. Em 2020, a relação se estreitou tanto com a comunidade que ele decidiu se mudar para Campo Buriti, reduto de mestres e renomados artesãos na zona rural de Turmalina.

*Embora eu já tivesse uma relação profunda com algumas artesãs, quando me instalei lá eu pude entender melhor o cotidiano, a importância da cerâmica no contexto social e familiar e também as dificuldades delas. Foi quando percebi que junto com elas, nós poderíamos desenvolver um trabalho inovador promovendo parcerias e trocando experiências para conquistar mais mercado de forma criativa”, afirma.

A primeira coleção, chamada Branco no Branco, desenvolvida pelas artesãs para a Camicado, incorporou um novo padrão de cores e novas formas às peças. As criações foram premiadas em 2020 na 7º edição do Prêmio Objeto Brasileiro, premiação bienal promovida pelo Museu À CASA do Objeto Brasileiro e que reconhece trabalhos artesanais do Brasil inteiro.

Ainda segundo Lucas, embora a relação com o barro, que se fortalece por gerações, faça com que essas artesãs se sintam apaixonadas pelo que fazem, o fator econômico também é importante para mantê-las em plena atividade. “É importante ressaltar que a tradição está sendo renovada também do ponto de vista criativo. Essa geração é estimulada com informações o tempo todo e, obviamente, isso se reflete na forma como elas lidam com o trabalho, o que facilita a incorporação de novos olhares nas coleções”, afirma.

Adriely Nunes Lima cursa fotografia e pretende usar seus conhecimentos para dar ainda mais visibilidade ao Vale. divulgação/CASA CLAUDIA

Apaixonada por tudo o que remete ao universo das artes, Adriely Nunes Lima,22 anos, é filha, neta e bisneta de artesãs. Porém, até pouco tempo atrás, mesmo tendo passado a infância fazendo pequenas peças, não se via como
artesã. Cursando o terceiro período da faculdade de fotografia, ela pretende conciliar as duas profissões para melhorar a visibilidade do Vale.

“Muita gente reconhece as peças, mas não conhece o Vale, por isso além do artesanato escolhi a fotografia para poder levar às pessoas a visão de uma pessoa que nasceu, cresceu e vive aqui. Outra questão importante está no fato de que ter boas imagens das peças e da comunidade ajuda a criar uma percepção melhor do nosso trabalho”, completa Adriely.

Andressa Silva Xavier assinou uma coleção de cerâmica aos 16 anos. divulgação/CASA CLAUDIA

O impacto destes novos olhares já começaram a surgir. Andressa Silva Xavier, de apenas 16 anos, é da quinta geração de artesãs da família. É ela a autora de uma nova coleção de cachepôs e enfeites de cactos que podem ser usados na mesa e na parede e que devem ser lançados em breve pela Paiol. “O desafio de criar uma coleção partiu do Lucas, que tem estimulado essa renovação do Vale e que desde a pandemia tem deixado todo mundo com tanto trabalho que decidi me aventurar também”, finaliza.