4 pais que encontraram no artesanato uma paixão e o sustento de suas famílias

Neste Dia dos Pais, conheça quatro artesãos brasileiros que vivem da arte e tentam passar o conhecimento para seus filhos

Por Ana Sachs

Matéria realizada e postada no site https://revistacasaejardim.globo.com/artesanato/noticia/2023/08/4-pais-que-encontraram-no-artesanato-uma-paixao-e-o-sustento-de-suas-familias.ghtml POR Ana Sachs
O Mestre J. Borges tem 18 filhos, dos quais cinco seguiram o caminho do pai — Foto: J. Borges / Arquivo Pessoal

Ainda que dominado por mulheres, o artesanato e a arte popular também têm muitos representantes homens. Alguns deles, pais de mais de um filho, encontraram na atividade uma paixão e forma de garantir o sustento de suas famílias.

Muitos chegaram ao ofício influenciados pelas esposas, mas outros encontraram nas artes uma forma de expressão e mudança de vida. Segundo Lucas Lassen, diretor criativo da Paiol, loja de arte popular e artesanato de tradição, são homens que, após trabalhar em serviços pesados, veem no ofício uma alternativa.

Vasos de barro feitos pelo artesão Getúlio, de Campo Alegre (MG) — Foto: Alexadre Disaro / Divulgação

“Alguns herdam essa habilidade artística da própria família. Mas outros a desenvolvem a partir da necessidade ou após se verem obrigados a ficar em casa por problemas de saúde ou pela perda do emprego formal. Com isso, além de se transformar em um ofício, o artesanato também se torna uma ferramenta terapêutica, que melhora a relação entre pais e filhos”, fala Lucas.

Conheça alguns destes pais artesãos!

Mestre J. Borges

Com mais de 60 anos ininterruptos de carreira, José Francisco Borges, conhecido como Mestre J. Borges, é uma das principais referências em xilogravura no Brasil. Natural da cidade de Bezerros, em Pernambuco, é dono de uma técnica própria de talhar e colorir a madeira. Pai de 18 filhos, conta com a companhia de cinco deles no ofício das artes, trabalho com o qual ele sustenta a grande família desde a década de 1960.

Xilogravura “Forró Nordestino”, obra do Mestre J. Borges — Foto: J. Borges / Arquivo Pessoal

“Eu só comecei na xilogravura, porque decidi escrever cordéis. Embora o cordel seja uma arte linda, eu acho que a ilustração traz um encanto para a publicação, mas mandar ilustrar era muito caro naquela época. Por isso, eu decidi ilustrar os meus próprios folhetos usando a técnica da xilo”, conta J. Borges.

Bacaro Borges, de 22 anos, é o mais novo de todos e começou a produzir os seus primeiros trabalhos de xilogravura aos 5 anos, com o auxílio do pai e dos irmãos mais velhos.

Bacaro Borges, filho do Mestre J. Borges, segue o caminho do pai no artesanato — Foto: Paiol / Divulgação

“O que nos diferencia é a vivência. Parte da arte do meu pai apresenta histórias contadas há mais de 60 anos. E mesmo que eu tenha um traço que retrata o Nordeste de forma muito parecida com a dele, percebo que tenho inspiração no hoje, nas demandas sociais, na política e outros temas mais atuais. No que depender da gente, esse trabalho vai seguir por muitas gerações na família”, diz o jovem.

Sr. Gervásio

O artesão Gervásio de Oliveira Santos vive da arte há 30 anos. Natural de Prados, cidade turística próxima a Tiradentes, em Minas Gerais, trabalhou no campo antes de se encontrar na profissão. “Eu fiz todo tipo de serviço disponível na roça. E foi lá mesmo que comecei no artesanato por incentivo do meu cunhado”, relembra.

O pai de quatro filhos é conhecido pelos banquinhos que representam animais silvestres e da fazenda, feitos com madeira de demolição encontrada na região. O mais famoso é o de onça, com pintura amarela e pintas pretas. Em 2022, em parceria com a Paiol, ele lançou o banco Pantera Negra, idealizado por Lucas Lassen.

O Sr. Gervásio tem quatro filhos e trabalhou na roça antes de se tornar um artesão — Foto: Theo Grahl / Divulgação

Atualmente, Gervásio tem a ajuda do filho mais novo, de 15 anos, que demonstrou interesse pelo artesanato. “A gente quer ver nossos filhos saudáveis e felizes, mas se ele decidir ser artesão, eu vou gostar”, comenta.

Bento de Sumé

Bento Medeiros Gouveia atua há 23 anos no artesanato com madeira. Natural da cidade de Sumé, na Paraíba, que rendeu o apelido pelo qual é conhecido, ele teve um longo caminho antes de chegar às artes. Vivendo em São Paulo, foi ajudante de caminhoneiro por 18 anos até ser atropelado, acidente que o obrigou a ficar 4 anos parado e com a renda comprometida.

Durante um passeio, encontrou um palete na rua e decidiu levá-lo para casa. Da peça nasceram os primeiros passarinhos, uma girafa e uma Nossa Senhora Aparecida, trabalho que serviu como terapia. “Um vizinho viu e insistiu para eu levar a uma feira, mas eu não consegui e acabei dando as peças para as crianças do bairro”, conta.

Bento de Sumé tem dois filhos e começou no artesanato depois de um acidente — Foto: Paiol / Divulgação

De volta a Sumé, ele começou a trabalhar com a umburana, madeira abundante na região. Com o sucesso de duas criações entre os turistas, passou a vender as peças em feiras e lojas, tornando-o um dos principais nomes do artesanato paraibano. A arte ajudou Bento a criar os dois filhos, que, hoje, moram em São Paulo e não seguiram a profissão do pai.

Getúlio Lima Francisco

Pai de dois filhos, um de 12 anos e outro já adulto, Getúlio começou no artesanato há cerca de 2 anos. Antes, ele trabalhava como pedreiro até machucar a coluna e ser mandado embora, em 2019.

Morador de Campo Alegre, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, uma das mais importantes regiões cerâmicas do Brasil, ele não enxergava o artesanato como uma possibilidade de trabalho. “Essa sempre foi uma atividade muito feminina, para complementar a renda, mas até pouco tempo atrás não era comum ver gente sustentando a casa com a cerâmica”, revela.

Getúlio é pai de dois filhos e começou no artesanato há dois anos e meio — Foto: Alexadre Disaro / Divulgação

Com tempo livre na pandemia, decidiu participar oficinas de criação, uma delas, promovida por Lucas Lassen com artesãos locais junto ao Instituto Sociocultural do Jequitinhonha. Acabou gostando do ofício e, atualmente, junto à esposa, produz vasos e flores usando as técnicas e tradições que dominam a região há mais de seis gerações.

“Meu filho mais novo já começa a fazer uma peça ou outra. E essa é uma das coisas mais valiosas que o artesanato tem me trazido: a possibilidade de estar dentro de casa e vendo meu filho crescer junto comigo”, destaca.

Eventos na CASACOR trazem intervenção artística e roda de conversa sobre o papel feminino no setor

Live Painting e bate-papo ressaltam a força da produção feminina

Matéria publicada pelo site https://gazetadasemana.com.br/noticia/125168/eventos-na-casacor-trazem-intervencao-artistica-e-roda-de-conversa-sobre-o-papel-feminino-no-setor
Divulgação

Em cartaz em São Paulo até o começo de agosto, a CASACOR acontece no Conjunto Nacional, no centro da cidade. No dia 26 de julho, próxima quarta-feira, algumas atividades estão previstas, trazendo uma intervenção artística e discussões sobre design, decoração, arte, responsabilidade social e o papel das mulheres em todas estas áreas. 

Bate-papo | Mulheres no Design, Arte, Artesanato e sua Responsabilidade Social

Buffet Abrigo, peça de Maria Fernanda no Ku’Ya, espaço de Stefanie Ribeiro que também reúne peças de Emediato e Suguikawa

Às 16h, em um bate-papo no Caracol Bar, espaço da Viganó Arquitetura, Stefanie Ribeiro,  Maria Fernanda Paes de Barros, Maria Helena Emediato e Karol Suguikawa discutem a participação da mulher nos campos do design, da arte e do artesanato. Com projetos que mesclam expressão criativa, sustentabilidade e responsabilidade social, seus trabalhos têm contribuído para questionar a hegemonia patriarcal no setor. 

Na conversa, elas devem discutir projetos colaborativos que visam o desenvolvimento comunitário, o uso do design como instrumento de transformação social, a arte e o design como ferramenta de inclusão de mulheres pretas, indígenas, quilombolas, rurais, LGBTQIA+, além de trazerem exemplos de parcerias com responsabilidade social.

“É uma oportunidade de ouvir mulheres de diferentes idades, etnias e experiências distintas, mas que têm usado seus potenciais criativos para criar projetos de impacto”, afirma Maria Fernanda.

Live Painting com a artista Ju Amora | Espaço Refúgio Conexão

Cores e Mãos do Cerrado fazem parte do Espaço Refúgio Conexão, de Isabella Nalon, que ressalta o feito à mão

No mesmo dia, das 14h às 19h, o espaço Refúgio Conexão, da arquiteta Isabella Nalon, recebe uma ação de live painting com a artista Ju Amora, que ficou nacionalmente conhecida por suas pinturas artísticas em bancos de madeira.

Sua primeira participação na CASACOR se dá por conta da coleção Cores e Mãos do Cerrado, que traz vasos artesanais de cerâmica produzidos por artesãos do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. “A pesquisa envolveu um estudo das diversas cores e referências culturais encontradas no bioma cerrado, o que nos permitiu chegar a uma paleta e a desenhos que ressaltam as características físicas e ambientais da região”, revela. 

Idealizada por Lucas Lassen, diretor criativo da Paiol, loja de arte popular e artesanato de tradição, a coleção é resultado de uma integração de saberes e fazeres artísticos, tendo como objetivo estimular a criação e a versatilidade de técnicas ancestrais produzidas na região. 

A ação é uma iniciativa de Isabella Nalon, Paiol, Casa Bonita e CASACOR. Ao final, os vasos serão doados a uma instituição escolhida pela equipe da CASACOR. 

SERVIÇO

Live Painting –  CASACOR
26 de julho de 2023 | Quarta-feira 
Onde: 
Espaço 40 | Isabella Nalon Arquitetura e Interiores | Das 14h às 19h
Caracol Bar | às 15h
Conjunto Nacional | Avenida Paulista. 2073 – São Paulo, SP

Pequenos negócios geraram 76% dos novos empregos em abril

O setor de Serviços foi responsável por mais da metade das vagas abertas no período, segundo o Sebrae

Por Da Redação

Matéria realizada pelo Jornal da Band, em 19/07/2023

Os pequenos negócios continuam na posição de protagonistas em relação aos empregos gerados no país. Levantamento realizado pelo Sebrae, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revela que 76% dos postos de trabalho criados em abril foram desse segmento. Do total de 180 mil novas vagas, 136,3 mil estavam nas micro e pequenas empresas contra 33,8 mil nas de médio e pequeno porte. A Administração Pública foi responsável por 4,6 mil.

“Mais uma vez, o segmento mostra a sua importância para a redução do desemprego e fome no país. Após o impulsionamento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, a expectativa é que o resultado seja ainda melhor nos próximos meses e que um número maior de novos postos seja criado”, comenta o presidente do Sebrae, Décio Lima.

Os pequenos negócios de todos os setores analisados apresentaram saldo positivo. O setor de Serviços foi a principal força motora de empregos do país, apresentando um total de 69,4 mil novas vagas, ou seja, seis a cada dez novos postos surgiram nesse setor. A Construção ficou na segunda posição, com 25,1 mil; seguida pelo Comércio, com 24,5 mil empregos; Indústria da Transformação, com 11,3 mil; Agropecuária, com 4,2 mil; Extrativa Mineral, com 886; e Serviços industriais de utilidade pública (SIUP), com 794.

Acumulado

Entre janeiro e abril de 2023, foram geradas 705,7 mil novas oportunidades no Brasil, sendo que 540,5 mil foram de responsabilidade aas micro e pequenas empresas, o que representa 76% desse saldo. Já as médias e grandes empresas fomentaram 83,2 mil novos postos de trabalho, o equivalente a 11,7% do total de vagas criadas no período. “Os pequenos negócios continuam mantendo a regularidade na participação do volume de novos empregos nos últimos anos. Em fevereiro, o segmento chegou a representar 85% das vagas”, observa Décio Lima.

No acumulado do primeiro quadrimestre, os pequenos negócios do setor de Serviços geraram 312,3 mil vagas, seguidos por Construção, com 110,8 mil, e Indústria da Transformação, com 94,3 mil. Embora o Comércio tenha apresentado saldo positivo nos últimos dois meses, o setor ainda está com saldo negativo de 15,6 mil no acumulado do ano. Esse resultado pode ser atribuído, em grande parte, ao mês de janeiro que, tradicionalmente, tem um número grande de demissões por causa das contratações que são feitas apenas para as festas de fim de ano.

Feito à mão ganha destaque em projetos da CASACOR SP 2023

Os projetos valorizam as raízes artesanais brasileiras e carregam histórias, técnicas e características do feito à mão de distintas regiões do país

Matéria realizada e publicada por Redação em https://casacor.abril.com.br/arte/feito-a-mao-destaque-casacor-sp-2023/
Gabriel Ramires, José Carrari Filho e Stephanie Ribeiro – KU’YA. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (André Scarpa/CASACOR)

Em sua 36ª edição, a CASACOR São Paulo segue o tema “Corpo & Morada“, trazendo reflexões acerca do corpo e suas relações com o espaço físico. Neste sentido, alguns projetos trazem um olhar apurado para as manualidades, sobretudo por trabalhos que valorizam as raízes artesanais brasileiras e que carregam consigo as histórias, técnicas e características do feito à mão espalhadas por regiões distintas do país.

No espaço Ku’Ya, que pode ser definido como um loft-spa criado pelos arquitetos Stephanie Ribeiro, Gabriel Ramires e José Carrari Filho, a ancestralidade e contemporaneidade brasileira se misturam no Buffet Abrigo, obra da designer e artista Maria Fernanda Paes de Barros em parceria com artesãs indígenas da etnia Mehinaku, do Alto Xingu. “No nosso espaço, esta obra entra como um dos elementos centrais, não só pela sua estética original e atípica, mas também por ser resultado de uma conexão genuína que reposiciona o saber artesanal de uma comunidade indígena tradicional dentro do mercado contemporâneo”, revela Stephanie.

Gabriel Ramires, José Carrari Filho e Stephanie Ribeiro – KU’YA. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (André Scarpa/CASACOR)

Produzida em uma edição limitada de apenas oito peças, a obra foi concebida a partir de uma profunda escuta e da união horizontal de saberes, com o objetivo de transmitir uma mensagem de respeito, equidade e harmonia. Feito em Cabreúva com fios de algodão tingidos naturalmente, a peça utiliza cilindros de madeira maciça que remetem à uma técnica tradicional Mehinaku na produção de esteiras, trazendo valorização e visibilidade para o trabalho das mulheres da etnia. “Penso na decoração como um instrumento que nos permite olhar para dentro, para o que é produzido aqui e para a riqueza das tradições que permeiam o nosso país. Neste contexto, esta é uma obra que levanta questões importantes sobre a sustentabilidade do fazer artesanal e o potencial de impacto social do design”, completa Carrari.

Isabella Nalon Arquitetura e Interiores – Refúgio Conexão. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Rafael Renzo/CASACOR)

Outro espaço que se debruça sobre as manualidades é o Refúgio Conexão, criado pela arquiteta Isabella Nalon, que marca sua estreia na CASACOR. Inspirada no conceito de Slow Living, o ambiente de estar de 76m² propõe a busca por um olhar mais atencioso para consigo e com a forma como se lida com o próprio ritmo. “Acredito que é primordial pensar a casa como uma extensão de nós mesmos.
Nosso olhar se volta para compreender como os ambientes podem contribuir para a nossa saúde física e mental e, dessa maneira, cada espaço deve refletir aquilo que mais funciona para cada um. Pensando em reduzir o ritmo, o artesanato brasileiro, em certa medida, nos traz a ideia de respeito ao tempo das coisas, do contato com o orgânico e nos desafia a valorizar as pequenas imperfeições que trazem singularidade às peças”, afirma a arquiteta.

Isabella Nalon Arquitetura e Interiores – Refúgio Conexão. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Rafael Renzo/CASACOR)

Dentre as diversas obras artesanais que se destacam no Refúgio Conexão, há a coleção de vasos Cores e Mãos do Cerrado, uma parceria da Paiol, uma das principais lojas de arte popular e de artesanato de tradição do Brasil, em parceria com a artista paulistana Ju Amora, que fez pinturas inspiradas na estética do bioma. Idealizada por Lucas Lassen, a coleção de vasos é moldada a partir do barro por artesãs do Vale do Jequitinhonha, tradicional reduto de ceramistas em Minas Gerais. Para a intervenção nas peças, a pesquisa envolveu um estudo das diversas cores e referências culturais do cerrado, o que lhes permitiu chegar a uma paleta e a desenhos que ressaltam as características físicas e ambientais da região, propondo uma união linear de diferentes vivências e características artísticas.

Isabella Nalon Arquitetura e Interiores – Refúgio Conexão. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Rafael Renzo/CASACOR)

“Trazer o artesanal para os ambientes evoca a necessidade de olharmos para a decoração como uma ferramenta de valorização da brasilidade, de reconhecermos que uma das riquezas do Brasil está na criatividade, nas produções coletivas, na transmissão geracional e na manutenção desses saberes que formam a identidade do país”, finaliza Isabella.

Para além dos objetos

Mauro Contesini – Circulação 41. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (Adriana Barbosa/CASACOR)

Nesta edição, além dos objetos, as técnicas de pintura também se destacam no diálogo entre a decoração e a arte popular. Em de 30m², o paisagista e engenheiro agrônomo Mauro Contesini – veterano de CASACOR – celebra a arte autêntica do nordeste, a simplicidade e resistência de seus artesãos. O recifense Derlon, reconhecido por uma estética que remete ao universo das Xilogravuras, foi um dos escolhidos para compor algumas obras nas paredes. Além de Derlon, o espaço conta com obras das ceramistas Dheny Santos e Leslie Bassi Gaffuri.

Ester Carro – Espaço Motirõ. Projeto da CASACOR São Paulo 2023. (André Mortatti/CASACOR)

Outro projeto que destaca a pintura artística é o Motirõ, pensado pela arquiteta e urbanista social Ester Carro. Segundo ela, o ambiente de 34m² é um espaço de ativismo, sensibilização para o morar periférico e potência de habilidades ancestrais. Para tanto, ela convidou o jovem artista indigena Waxamani Mehinaku, que utiliza seu trabalho com grafismos autorais de sua etnia e o transporta para mobiliários desenhados pela designer Claudia Moreira Salles. “A intervenção foi criada pensando no futuro, no cuidado e nas adaptações que o habitar contemporâneo necessita. É um espaço coletivo que conecta mãos para construir”, finaliza Ester.

Serviço CASACOR São Paulo 2023

Onde: Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, 2073.

Quando: de 30 de maio a 06 de agosto de 2023.

Horário de funcionamento:

Terça a Sábado das 12h às 22h

Domingos e Feriados das 11h às 21h

Bilheteria digital:

https://appcasacor.com.br/events/sao-paulo-2023

Valores totais dos ingressos: De terça a domingo e feriados – R$101,00 (inteira) e R$ 51,00 (meia entrada)

Pacotes promocionais:

3 dias (desconto de 17%) – R$251 (inteira) e R$ 126,00 (meia entrada)

5 dias (desconto de 30%) – R$ 351,00 (inteira) e R$ 176,00 (meia entrada)

*Ingressos pessoais e intransferíveis.

Passaporte (livre acesso em todos os dias de funcionamento da mostra):

R$601,00 – código de promoção pré-venda não aplicável nesta modalidade

*Ingressos pessoais e intransferíveis.

Visitas Guiadas:

R$161,00 (terças, quartas e quintas-feiras às 17h)

Compra de ingresso de meia-entrada

Idoso a partir de 60 anos Estudante apresentando o documento válido com foto ou recibo de pagamento. Deficiente e seu acompanhante (conforme lei 12.933/13). *Promoção de pré-venda não válida para meia entrada *Comprovação de meia-entrada será exigida na porta. Importante: A compra do passaporte oferece acesso livre à mostra

Gratuidade de entrada é para crianças com idade comprovada de até 10 anos.

1 (um) CPF pode comprar no máximo 10 ingressos. Venda para Grupos, dúvidas e informações: Compras acima de 10 ingressos ou por CNPJ, envie e-mail para:  bilheteriacasacor@abril.com.br ou whatsapp (11) 97717-5511

Informações Gerais:

O evento CASACOR está em concordância com as normas sanitárias vigentes. Todos os protocolos de segurança e higiene deverão ser cumpridos por todos os visitantes e staff, sem exceção.

Fácil acesso à mostra via metrô Consolação – Linha 2, verde.

Não é autorizado o uso de equipamentos profissionais como, tripé, luz e acessórios para captação de imagem/foto/vídeo durante a visita.


4 casais do artesanato brasileiro que criam peças cheias de afeto

O trabalho conjunto une as famílias e ajuda a alavancar os pequenos negócios de artesanato e arte popular por todo o Brasil

Por Ana Sachs

Yran Palmeira e Emeton Kroll com os ‘Pedidores de Abraços’, da Armoriarte – Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

No mundo do artesanato, é comum encontrar casais que trabalham lado a lado na criação das peças do pequeno negócio familiar. A união acaba fortalecida e, muitas vezes, a atividade artística se estende a outros membros do núcleo, como filhos e netos.

“Eu percebo que, geralmente, um dos dois começa a produção, até que em dado momento, o número de pedidos começa a aumentar e o outro se sente incentivado a auxiliar”, conta Lucas Lassen, curador e diretor criativo da Paiol, lojas de artesanato de tradição e arte popular brasileira.

Conheça abaixo quatro casais unidos pelo amor e pela arte:

1. Yran e Emeton

Juntos há quase 20 anos, Yran Palmeira e Emeton Kroll moram em Caruaru (PE) desde 2008. Eles começaram as criações artísticas em 2015, por influência de um grande amigo, que acabou falecendo logo depois. Para lidar com o luto, usaram a pintura e a cerâmica como terapia.

A “Pedidora de Abraços” de Yran Palmeira e Emeton Kroll é moldada e pintada à mão — Foto: Theo Grahl / Divulgação

Juntos, eles criaram a Armoriarte, marca artística inspirada no movimento armorial, de Ariano Suassuna, que busca criar uma arte autêntica brasileira baseada nas raízes populares. Eles também trabalham com referências do pernambucano Francisco Brennand.

Os bonecos de braços abertos, criados por Emeton e batizados de “Pedidores de Abraços” por Yran, se tornaram o carro-chefe. Hoje, para adquirir uma das peças moldada e pintada à mão pelos dois é preciso esperar até 90 dias. “Acho que não eu conseguiria trabalhar por tanto tempo e com tanto prazer se não fosse ao lado de quem eu amo e de quem me ama também”, fala Yran.

2. Mestre Neguinha e Nanai

Maria do Carmo, mais conhecida como Mestre Neguinha, está com o marido, Arnaldo Guimarães, o Nanai, desde 1994. Mas foi somente há cerca de quatro anos que ele precisou pedir demissão do trabalho para auxiliar a esposa na produção de suas peças, que não para de crescer.

O casal Mestre Neguinha e Nanai trabalha junto há cerca de quatro anos — Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

O salto se deu após conhecerem a artista plástica Ana Veloso, durante um projeto com foco em revitalizar a produção artesanal de Belo Jardim, no agreste pernambucano, onde o casal vive.

Criações com tamanduás, sereias e santos começaram a fazer sucesso, até que as famosas cabeças de barro – hoje reconhecidas no mundo todo – se transformaram em uma marca registrada.

As cabeças de barro viraram marca registrada do trabalho de Mestre Neguinha no mundo — Foto: Theo Grahl / Divulgação

“Tudo o que a gente tem hoje é fruto do artesanato e, desde então, não tivemos sequer um dia ruim. Pelo contrário, a gente sempre se deu muito bem, mas agora estamos cada mais próximos”, conta Nanai.

3. Marcos e Jaqueline

Filha, neta e bisneta de artesãs, Jaqueline Dias de Souza segue a tradição da família, que há cinco gerações trabalha com o barro no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O marido, Marcos Lopes, começou a se interessar pela técnica em 2011. As visitas à casa da sogra, durante o namoro de quatro anos, o fizeram se encantar por todo o processo de produção das peças.

Jaqueline Dias de Souza e Marcos Lopes, que aprendeu a trabalhar o barro com a esposa — Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

“Eu comecei aos pouquinhos, por incentivo da Jaqueline e da minha sogra, e logo já estava conciliando a produção com a função de operador de máquinas em construções”, afirma.

As peças de barro criadas por Jaqueline e Marcos junto com a família da artesã — Foto: Alexandre Disaro / Divulgação

Com o casamento em 2015 e, mais tarde, o nascimento da filha do casal, ele sentiu a necessidade de estar mais perto de casa. Com isso, o artesanato passou a ser o seu ofício principal. “O artesanato, hoje, para nós, além de representar qualidade de vida, acaba fortalecendo o nosso laço familiar”, diz o casal.

4. Adriana e Juliano

Adriana Souza e Juliano Martins se conheceram na escola quando os dois, já adultos, decidiram voltar a estudar. Ela trabalhava com artesanato desde os 19 anos e o convidou para atuar na profissão, pois ele havia acabado de perder o emprego à época.

Adriana Souza e Juliano Martins trabalham juntos na produção de esculturas de arte naif — Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

“Eu não tinha muita noção do que ela fazia. Acabei indo conhecer e aprendi todo o processo de trabalho com a madeira, material que demanda um certo domínio para saber como cortar e entalhar”, relembra Juliano.

As esculturas de madeira de Adriana e Juliano são feitas de madeira talhada e pintadas à mão — Foto: Theo Grahl / Divulgação

Dezoito anos depois e com três filhos, o casal, que vive em Caraguatatuba, no litoral paulista, construiu a marca Casa das Casinhas, que produz esculturas de arte naif em madeira talhada por ele e finalizada com pinturas feitas por ela.

“A gente gosta de representar o cotidiano, o recorrente, mas sempre de uma forma mais leve, colorida e animada. É um estilo de vida, é um trabalho árduo, mas também é diversão e tem nos dado muita qualidade de vida”, comenta Adriana.

FEITO À MÃO GANHA DESTAQUE EM PROJETOS DA CASACOR

Arquitetos ressaltam técnicas artesanais em diversos ambientes

Matéria realizada e publicada por Angelo Miguel em https://megamoveleiros.com.br/publicacoes/feito-a-mao-ganha-destaque-em-projetos-da-casacor
Feito à mão ganha destaque em projetos da CASACOR

Desde o dia 30 de maio, está aberta a nova temporada da CASACOR, maior evento de arquitetura e decoração das Américas, que mistura arte, design e paisagismo em 73 ambientes pensados pelos principais nomes da decoração nacional. Em sua 36ª edição, os projetos se inspiram no tema Corpo & Morada, trazendo reflexões acerca  do corpo e suas relações com o espaço físico. Neste sentido, alguns projetos trazem um olhar apurado para as manualidades, sobretudo por trabalhos que valorizam as raízes artesanais brasileiras e que carregam consigo as histórias, técnicas e características do feito à mão espalhadas por regiões distintas do país. 

No espaço Ku’Ya, que pode ser definido como um loft-spa criado pelos arquitetos Stephanie Ribeiro, Gabriel Ramires e José Carrari Filho, a ancestralidade e contemporaneidade brasileira se misturam no Buffet Abrigo, obra da designer e artista Maria Fernanda Paes de Barros em parceria com artesãs indígenas da etnia Mehinaku, do Alto Xingu. “No nosso espaço, esta obra entra como um dos elementos centrais, não só pela sua estética original e atípica, mas também por ser resultado de uma conexão genuína que reposiciona o saber artesanal de uma comunidade indígena tradicional dentro do mercado contemporâneo”, revela Stephanie.

Produzida em uma edição limitada de apenas 8 peças, a obra foi concebida a partir de uma profunda escuta e da união horizontal de saberes, com o objetivo de transmitir uma mensagem de respeito, equidade e harmonia. Feito em cabreúva e com fios de algodão tingidos naturalmente, a peça utiliza cilindros de madeira maciça que remetem à uma técnica tradicional Mehinaku na produção de esteiras, trazendo valorização e visibilidade para o trabalho das mulheres da etnia. “Penso na decoração como um instrumento que nos permite olhar para dentro, para o que é produzido aqui e para a riqueza das tradições que permeiam o nosso país. Neste contexto, esta é uma obra que levanta questões importantes sobre a sustentabilidade do fazer artesanal e o potencial de impacto social do design”, completa Carrari. 

Outro espaço que se debruça sobre as manualidades é o Refúgio Conexão, criado pela arquiteta Isabella Nalon, que marca sua estreia na CASACOR. Inspirada no conceito de Slow Living, o ambiente de estar de 76m² propõe a busca por um olhar mais atencioso para consigo e com a forma como se lida com o próprio ritmo. “Acredito que é primordial pensar a casa como uma extensão de nós mesmos. Nosso olhar se volta para compreender como os ambientes podem contribuir para a nossa saúde física e mental e, dessa maneira, cada espaço deve refletir aquilo que mais funciona para cada um. Pensando em reduzir o ritmo, o artesanato brasileiro, em certa medida, nos traz a ideia de respeito ao tempo das coisas, do contato com o orgânico e nos desafia a valorizar as pequenas imperfeições que trazem singularidade às peças”, afirma a arquiteta.

Dentre as diversas obras artesanais que se destacam no Refúgio Conexão, há a coleção de vasos Cores e Mãos do Cerrado, uma parceria da Paiol, uma das principais lojas de arte popular e de artesanato de tradição do Brasil, em parceria com a artista paulistana Ju Amora, que fez pinturas inspiradas na estética do bioma. Idealizada por Lucas Lassen, a coleção de vasos é moldada a partir do barro por artesãs do Vale do Jequitinhonha, tradicional reduto de ceramistas em Minas Gerais. Para a intervenção nas peças, a pesquisa envolveu um estudo das diversas cores e referências culturais do cerrado, o que lhes permitiu chegar a uma paleta e a desenhos que ressaltam as características físicas e ambientais da região, propondo uma união linear de diferentes vivências e características artísticas.

Estante do espaço Refúgio Conexão com vasos da Coleção Cores e Mãos do Cerrado, feita por mulheres do Jequitinhonha – Foto Rafael Renzo

“Trazer o artesanal para os ambientes evoca a necessidade de olharmos para a decoração como uma ferramenta de valorização da brasilidade, de reconhecermos que uma das riquezas do Brasil está na criatividade, nas produções coletivas, na transmissão geracional e na manutenção desses saberes que formam a identidade do país”, finaliza Isabella.

Para além dos objetos

Obra de Derlon, no espaço de Mauro Contesini, e grafismos de Waxamani Mehinaku, no Espaço Motirõ, de Ester Carro – Fotos Angelo Miguel (esq) e André Mortatti/CASACOR

Nesta edição, além dos objetos, as técnicas de pintura também se destacam no diálogo entre a decoração e a arte popular. Em de 30m², o paisagista e engenheiro agrônomo Mauro Contesini – veterano de CASACOR – celebra a arte autêntica do nordeste, a simplicidade e resistência de seus artesãos. O recifense Derlon, reconhecido por uma estética que remete ao universo das Xilogravuras, foi um dos escolhidos para compor algumas obras nas paredes. Além de Derlon, o espaço conta com obras das ceramistas Dheny Santos e Leslie Bassi Gaffuri.

Outro projeto que destaca a pintura artística é o Motirõ, pensado pela arquiteta e urbanista social Ester Carro. Segundo ela, o ambiente de 34m² é um espaço de ativismo, sensibilização para o morar periférico e potência de habilidades ancestrais. Para tanto, ela convidou o jovem artista indigena Waxamani Mehinaku, que utiliza seu trabalho com grafismos autorais de sua etnia e o transporta para mobiliários desenhados pela designer Claudia Moreira Salles. “A intervenção foi criada pensando no futuro, no cuidado e nas adaptações que o habitar contemporâneo necessita. É um espaço coletivo que conecta mãos para construir”, finaliza Ester. 

Serviço

CASACOR SÃO PAULO 2023

30 de maio a 06 de agosto de 2023

Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, 2073.

Horário de Funcionamento: 

Terça a Sábado das 12h às 22h

Domingos e Feriados das 11h às 21h

https://casacor.abril.com.br/mostras/sao-paulo/


By Angelo Miguel | Bacuri Comunicação

Imagens: Créditos Rafael Renzo / Angelo Miguel / André Mortatti

Mães artesãs transmitem técnicas aos filhos e ajudam a perpetuar tradições

Passados de geração em geração, os conhecimentos novos e antigos encontram nas relações familiares uma forma de se manterem vivos

Maria Barbosa (à frente) com a filha Lucineide, que aprendeu com a mãe de 77 anos o bordado filé Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

As mães ensinam muitos saberes aos seus filhos e, em alguns casos, até a profissão. No mundo do artesanato e da arte popular é comum encontrar quem tenha herdado o ofício da matriarca da família.

“Nós começamos pela convivência, pela observação diária e pelas brincadeiras de infância, o que mais tarde acaba nos incentivando a usar a atividade para gerar alguma renda”, conta Maria Barbosa, que aprendeu a bordar com a mãe e, após ensinar as próprias filhas, atualmente, incentiva as netas.

Obras de aço carbono da artesã Patricia Barros, que conta com ajuda dos filhos — Foto: Alexandre Disaro / Divulgação

Mas para que todo esse rico conhecimento se perpetue, é preciso que as mulheres encontrem no artesanato a sua fonte de subsistência. “É importante que as pessoas entendam que ao comprar uma peça artesanal, elas contribuem para a manutenção de famílias e comunidades inteiras”, destaca Maria.

Segundo Lucas Lassen, diretor criativo da Paiol, loja que atua há 15 anos em parceria com artesãos brasileiros, sem o retorno financeiro, a tradição pode desaparecer. “Por mais interessante e tradicional que seja a técnica, e por mais insistente que as mães sejam, os filhos e os netos acabam deixando a atividade de lado quando percebem que não conseguem viver deste trabalho”, avalia.

Veja abaixo cinco artesãs que têm suas histórias marcadas pelo artesanato e pela maternidade!

Maria Barbosa

A artesã Maria Barbosa, natural de Maceió, em Alagoas, começou a bordar aos 7 anos, seguindo os passos da mãe. Especialista em bordado filé, considerado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, ela transmitiu todo o seu conhecimento para as duas filhas.

Maria Barbosa aprendeu a bordar com a mãe aos 7 anos e, hoje, ensina as netas — Foto: Grupo Produtivo Luart / Divulgação

Uma delas, Lucineide Barbosa, hoje comanda o Grupo Produtivo Luart, composto por 32 mulheres especialistas na técnica que produzem, de forma coletiva, itens como bolsas, vestuários e acessórios para a casa. Mantendo a tradição, as netas de Maria Barbosa, de 16, 12 e 10 anos, já iniciaram no ofício, ajudando a manter vivo o conhecimento transmitido por tantas gerações.

Sil da Capela

A mestra Sil da Capela cresceu em Capela, Alagoas, e fugiu de casa aos 15 anos para ter Maria Cristina, sua primeira filha, que é autista. Durante os tratamentos da menina, ela participou de uma ação na qual o mestre artesão João das Alagoas, um ícone do estado nordestino, dava aulas de cerâmica para mães de crianças com deficiência.

Sil da Capela é mãe de três filhos, dois seguiram o mesmo caminho da mestra artesã alagoana — Foto: Sedetur / Felipe Brasil / Divulgação

As esculturas com figuras de jaqueiras, árvore abundante na região onde vive, tornaram-se a sua marca registrada. Atualmente, seus outros dois filhos, Andressa e Carlos, seguem os passos da mãe. “Na minha família, não sei de nenhum artesão ou artista antes de mim, mas fico feliz que os que estão vindo depois já estão no mesmo caminho, com obras espalhadas por vários lugares”, fala.

As figuras de jaqueiras de cerâmica são a marca do trabalho da artesã Sil da Capela — Foto: Alexandre Disaro / Divulgação

Fatinha de Olhos D’água

A mestra artesã Maria de Fátima Bastos, conhecida como Fatinha, cresceu vendo a mãe e a avó tecendo colchas de algodão e fazendo bonecas de pano. Para driblar a infância humilde, por volta dos 7 anos, ela começou a usar palha de milho das plantações da região de Olhos D’água, no interior de Goiás, para produzir bonecas.

Fatinha se considera mãe de vários outros que aprenderam com ela a viver do artesanato — Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

A profissionalização veio em 1999, quando Fatinha percebeu que precisaria de ajuda para dar conta da demanda crescente. “Com isso, eu passei a ensinar vizinhos, amigos e alguns jovens da cidade”, conta. Mãe de dois filhos, ela diz que o trabalho com o artesanato é como um “filho” que lhe permitiu ser mãe de vários outros que aprenderam com ela o trabalho manual.

A mestra artesã Maria de Fátima Bastos usa palha de milho para criar esculturas — Foto: Alexandre Disaro / Reprodução

Patrícia Barros

A artesã Patrícia Barros, que vive em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, é filha de artesãos e artistas plásticos, e circula por ateliês desde criança. Aos 15 anos decidiu seguir carreira no artesanato, somando 42 anos de dedicação exclusiva aos trabalhos manuais.

“Comecei fazendo peças que eu via em lojas de alta decoração, mas não podia comprar devido ao preço. Fazia castiçais e, quando vi, já estava produzindo várias peças decorativas e com temas religiosos”, relembra.

Patrícia envolveu os dois filhos e o marido na produção das peças artesanais de aço carbono — Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

10 artesãos brasileiros com trabalhos que vale a pena conhecer

Especialistas em técnicas antigas ou em novas formas de criar, eles desenvolvem peças que são um verdadeiro legado da cultura e história brasileiras

Matéria realizada e publicada por Ana Sachs em https://revistacasaejardim.globo.com/artesanato/noticia/2023/03/10-artesaos-brasileiros-com-trabalhos-que-vale-a-pena-conhecer.ghtml
O artesanato brasileiro é tão diversificado quanto o povo, a cultura e a história do país – Foto: Artesol, Sérgio J. Matos e Artesol / Divulgação

No Dia Mundial do Artesão, celebrado 19 de março, há muito o que comemorar, mas também muito o que avançar. Apesar da visibilidade e reconhecimento cada vez maiores, os artesãos brasileiros ainda têm dificuldades de viver de sua arte.

Segundo pesquisa feita no fim de 2022 pela Artesol, organização que atua há 25 anos na valorização do setor, a renda máxima mensal de 39% dos 10 mil artesãos de 24 estados brasileiros mapeados pela rede é de R$ 550, abaixo do salário mínimo. Um percentual de 51% vivem em áreas rurais e 76% afirmam que são profissionais não formalizados.

“A data é importante para que a nossa sociedade entenda o que essas criações representam para a cultura do nosso país. Neste dia, devemos celebrar a luta destes indivíduos por reconhecimento, valorização e remuneração justa”, destaca Jô Masson, diretora executiva da Artesol.

Para Lucas Lassen, diretor criativo e curador da loja Paiol, o artesanato vai além das questões estéticas e econômicas: é parte da identidade do povo brasileiro. Mesmo como a modernização, estes saberes se mantêm vivos, atravessando gerações e, mais ainda, se mantêm atuais. Por isso, é tão importante valorizar, incentivar e reconhecer os artesãos, avalia.

Veja a seguir, 10 artesãos brasileiros com um trabalho que vale a pena conhecer e acompanhar.

1. Bacaro Borges

Bacaro Borges é filho caçula de J. Borges, maior referência brasileira em xilogravura — Foto: Marlom Meireles e Arquivo Pessoal / Divulgação

O jovem de Bezerros (PE) é o caçula dos 18 filhos de José Francisco Borges, mais conhecido como J. Borges, maior referência brasileira em xilogravura. A presença constante no ateliê de seu pai acabou transformando a técnica em sua principal forma de expressão artística.

Mesmo estando ligado às tradições pernambucanas – e de outras regiões do Nordeste – seu trabalho também reflete as observações e demandas típicas de sua geração, com trabalhos que fazem referência à música, à estética do sertão e aos movimentos sociais.

2. Bento de Sumé

O paraibano Bento de Sumé faz esculturas de madeira, trabalho que aprendeu sozinho — Foto: Governo da Paraíba / Divulgação

Nascido em Sumé (PB), Bento teve os primeiros contatos com a madeira por meio do roçado. Trabalhou alguns anos fazendo carvão em sua cidade natal, até que, aos 18 anos, decidiu ir para São Paulo em busca de trabalho.

Foi atropelado e, com dificuldade de locomoção e dependendo de muletas, começou a esculpir usando pallets que achava na rua. Decidiu voltar para sua cidade natal e criar peças usando imburana – madeira com a qual já tinha familiaridade – que vão de santos a pássaros e outros animais.

3. Célio Freire de Sousa

Célio Freire de Sousa transforma pedaços de madeira em esculturas multicoloridas — Foto: Artesol / Divulgação

O artesão transforma móveis e outros pedaços de madeira que encontra pelas ruas e calçadas de Fortaleza (CE) em esculturas multicoloridas e cheias de detalhes, que exploram a relação entre formas humanas e da natureza.

Para criar os diferentes efeitos na pintura, utiliza tinta acrílica e PVA com ferramentas diversas, como pincéis, esponja, palito de churrasco e escova de dentes.

Parte de sua inspiração vem do pintor naif Chico da Silva, que foi seu vizinho quando criança. Vive da arte há apenas cinco anos, depois que seu filho criou um perfil em uma rede social para divulgar o seu trabalho.

4. Dona Rita

A ceramista Dona Rita trabalha desde os 12 anos no Vale do Jequitinhonha (MG) — Foto: Giovana dos Santos e Theo Trindade / Divulgação

Artesã desde os 12 anos de idade, a ceramista, hoje com 68 anos, é um retrato das mulheres que moldam a vida a partir do barro no Vale do Jequitinhonha.

Moradora de Campo Alegre, no município de Turmalina (MG), ela aprendeu o ofício junto com a mãe, também artesã, nesta região que é reconhecida por ter famílias que trabalham com o material há pelo menos seis gerações.

Suas primeiras peças foram casinhas que vendeu em feiras locais e, hoje, também faz potes, jarras, pratos e panelas.

5. Enauro Luiz Rocha Costa

O artesão alagoano Enauro Luiz Rocha Costa cria luminárias cheias de cor — Foto: Artesol / Divulgação

O artesão de Maceió (AL) usa a casca do coco seca – material que costuma ser descartado – e miçangas para criar luminárias cheias de cor.

Autodidata, passou dois anos estudando como trabalhar com o material. Identificou sozinho o tempo certo de colher o fruto, quando e como abri-lo, além de desenvolver máquinas específicas para criar os trabalhos.

O alinhamento dos furos – chegam a 5 mil em uma única peça – é feito com ferramentas também desenvolvidas por ele, e os desenhos são inspirados no sincretismo cultural de sua terra natal. Hoje, suas criações já estão presentes em países como Argentina, Itália, Canadá e Estados Unidos.

6. Hercília Batista

Hercília Batista, artesã especialista na delicada técnica da Palma de Ouro — Foto: Artesol / Divulgação

Há mais de trinta anos atuando em Sabará (MG), a artesã cria peças usando a técnica da Palma Barroca, que consiste em arranjos florais feitos com chapas metálicas banhadas a ouro. Herança portuguesa, chegou ao país no século 18, instalando-se na região no mesmo período de formação das cidades barrocas.

O conhecimento repassado ao longo dos séculos resistiu e, nos anos 1980, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) resgatou a tradição por meio do Museu do Ouro, onde a artesã, que já recebeu certificado de artesanato de tradição por excelência da Unesco, também trabalha.

7. Joelma Silva

Joelma faz trançado da palha de piaçava, técnica que aprendeu ainda criança com a mãe — Foto: Arquivo Pessoal e Artesol / Divulgação

Nascida em Porto de Sauipe (BA), é uma das responsáveis por manter uma tradição secular: o trançado da palha de piaçava, técnica que aprendeu com a mãe aos sete anos de idade. Suas peças compreendem um amplo portfólio de acessórios de moda e utilitários, como bolsas, cestos e tapetes.

Hoje, aos 54 anos e mãe de três filhos, ela luta para manter a técnica de origem indígena Tupinambá viva. Além disso, a atividade na região é responsável por auxiliar na preservação da flora local, com técnicas extrativistas que respeitam os ciclos de recuperação da palmeira.

8. Leno

Leno, atua na Ilha do Ferro (AL) e trabalhou como pedreiro até se encontrar no artesanato — Foto: Arquivo Pessoal e Dani Neves / Divulgação

Girleno Alves Amorim, mais conhecido como Leno, atua na Ilha do Ferro (AL) e trabalhou como pedreiro até decidir dar vida a criaturas dentuças que via em sonhos e se tornar artesão. Filho de pai pedreiro e avô carpinteiro, ele usou as suas habilidades com as ferramentas na produção das peças.

O primeiro trabalho nasceu em 2015 e, logo depois, vieram as cadeiras Armação, feitas com galhos da madeira pereiro, típica da caatinga, além de bancos e esculturas inspiradas em figuras reais e imaginárias.

9. Natalina Soares de Souza

Natalina Soares de Souza aprendeu a arte da tecelagem ainda criança, com a mãe — Foto: Artesol / Divulgação

De Berilo, município no Vale do Jequitinhonha (MG), a tecelã começou no ofício ainda criança, descaroçando o algodão para fiar. Aos nove anos, já sabia tecer e, aos 12, assumiu o trabalho da mãe doente e o sustento da casa.

Hoje, depois de mais de 40 anos, ainda usa o antigo tear deixado pela mãe, datado de 1955, e tenta manter viva a técnica que remonta ao século 18 e que tem se perdido com o desinteresse das novas gerações. Em 2020, ela foi homenageada no livro À luz do algodão, do fotógrafo Lori Figueiró.

10. Rosa Chota

A índia Rosa Chota faz trançado de palha com as fibras de arumã e tucum no Amazonas — Foto: Sérgio J. Matos / Divulgação

Da etnia Ticuna, maior grupo indígena do Amazonas, a artesã trabalha desde os 13 anos com o trançado de palha das fibras de arumã e tucum, na Comunidade Indígena Ticuna de Bom Caminho, no entorno da cidade de Benjamin Constant (AM).

Filha de artesã, os trabalhos produzidos pela etnia têm como objetivos a geração de renda e, sobretudo, a preservação da tradição artesanal, reconhecida pela beleza de suas cestarias. Há 42 anos neste ofício, ela tem cinco filhos também envolvidos com artesanato.

Festival traz design e artesãos ao centro de SP em busca de revitalização

Design Week reúne expositores nas galerias Metrópole e Zarvos e no edifício Copan até este domingo

Matéria realizada e publicada por Caio Delcolli em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/festival-traz-design-e-artesaos-ao-centro-de-sao-paulo-em-busca-de-revitalizacao.shtml

Para fugir do estigma de um centro degradado e perigoso, designers se apropriaram de espaços nas galerias Metrópole e Zarvos e no edifício Copan, no centro de São Paulo, para montar suas sedes. Eles são alguns dos expositores da Design Week, a DW, que acontece até este domingo (19).

Na primeira galeria, estão as lojas Paiol, Ju Amora, Estúdio Niz e Des_Apê. Já na segunda, a de Paulo Alves e a Feira na Rosenbaum. E no Copan está a Boom SP Design.

Nos últimos anos, o designer Paulo Alves tem se empenhado para atrair colegas para o centro. “A gente está em uma região que tem um patrimônio incrível de arquitetura moderna”, diz.

Francesco Missoni – Boom SP Design – Divulgação

“Tem uma quadra triangular com as avenidas Ipiranga e São Luís e a rua Consolação. Você tem o edifício Copan e tantos outros que são importantíssimos e históricos. A gente tem mania de abandonar o centro e ir para fora da cidade, mas é preciso ocupar esse lugar.”

Alves defende que o melhor público para ocupar de maneira decisiva a região são os criativos —ele comemora, por exemplo, a chegada da livraria Megafauna, em 2020, e o Bar da Dona Onça, em 2008, ao térreo do edifício projetado por Oscar Niemeyer.

Alves se uniu a iniciativas, durante a feira deste ano, como exibição de documentários sobre designers e arquitetos brasileiros, além de expor em sua loja a coleção “Tesouros do Brasil”, fruto de uma parceria com a loja de tapetes By Kamy em que a fauna brasileira é retratada em peças feitas a partir de tramas descartadas.

Juliana Amorim, da Ju Amora, especializada em pinturas à mão em bancos, conta ter mudado de Perdizes, na zona oeste, para a galeria Metrópole em 2021, em meio a uma das piores fases da pandemia.


“Eu vim para cá justamente por esse lugar ter sido atingido tão negativamente pela pandemia. Aqui, eu senti uma energia de transformação, junto com os outros criativos que fizeram o mesmo movimento”, diz.

Ela diz que o poder público é, em parte, responsável pela revitalização da área, mas acredita que as pessoas podem fazer a diferença individualmente, a despeito disso.

“A gente precisa melhorar o nosso entorno, não só pelos designers, mas por todo o centro, que é um patrimônio. A função dele precisa ser revivida”, afirma.

Amorim e Lucas Lassen, da Paiol, colega de galeria, fizeram uma parceria para promover uma mistura cultural e criativa. Com as coleções “Cores e Mãos do Cerrado” e “Cores e Mãos do Sertão”, eles mostram diferentes linguagens se retroalimentando nas peças.

A primeira coleção cruza o artesanato em cerâmica do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, com os traços delicados de Amorim, por sua vez paulistana. A segunda tem mesas e bancos feitos em Alagoas, produzidos com madeiras resgatadas do fundo do rio São Francisco, em que a artista fez pinturas que remetem ao folclore da Ilha de Ferro, povoado próximo.

Tradição do Carnaval pernambucano, La Ursa é representada no artesanato

Conheça mais sobre essa herança do Carnaval europeu que se integrou à cultura de Pernambuco e o trabalho dos artesãos locais sobre o tema

Matéria realizada e divulgada Por Rosana Ferreira em https://revistacasaejardim.globo.com/artesanato/noticia/2023/02/tradicao-do-carnaval-pernambucano-la-ursa-e-representada-no-artesanato.ghtml
No Carnaval de Pernambuco, a fantasia principal da tradição La Ursa consiste em um macacão e uma máscara de urso que cobre toda a cabeça, geralmente feita de papel machê e pintada à mão — Foto: Ed Machado / Divulgação

Quem mora fora Pernambuco talvez não conheça La Ursa, personagem presente nas festas de rua de Recife e outras cidades do interior durante o Carnaval, trazida pelos imigrantes europeus e se integrou à cultura local.

Com elementos teatrais, a atuação tem um urso como figura central acompanhado de seu domador, mas não para por aí e invade – no bom sentido – o território do artesanato, com a produção de máscaras, esculturas e cachepôs.

A tradição faz alusão aos números circenses com o animal, algo comum na Itália à época em foi introduzida por aqui, entre o final do século 19 e a década de 1920. A fantasia principal consiste em um macacão feito de veludo, estopas, pelúcia ou retalhos de tecidos costurados, além de uma máscara que cobre toda a cabeça, geralmente feita de papel machê e pintada à mão.

O conjunto conta ainda com o caçador ou domador – que costuma carregar uma espingarda –, o italiano, representado com grandes bigodes e que arrecada dinheiro dos foliões, além de outros personagens como o porta-cartaz. “Crianças e adultos saem pelas ruas brincando, dançando, cantando marchinhas, pedindo dinheiro e fazendo bastante barulho por onde passam”, conta Lucas Lassen, curador e diretor criativo da Paiol, loja de artesanato e arte popular brasileira.

O interessante da arte popular, segundo ele, é a liberdade que dá aos artistas para buscarem suas distintas interpretações sobre um mesmo tema. “La Ursa faz parte do imaginário pernambucano e está nas ruas, nas fantasias e também na cerâmica”, analisa o curador.

Conheça alguns nomes da arte no cenário pernambucano que transferem essa tradição para o artesanato.

1. Lula Vassoureiro

Máscaras de papel machê de Lula Vassoureiro, um dos mais antigos artesãos que representam essa tradição — Foto: Alexandre Disaro / Divulgação

Natural de Bezerros, no Agreste Central, Lula Vassoureiro conta que fez a primeira máscara em 1950, aos 6 anos, para uso próprio. Um dos mais antigos artesãos que carregam a tradição das máscaras de papel machê, ele foi influenciado pelo pai e avô – também excelentes artesãos.

Após muitas décadas fazendo máscaras inspiradas na cultura pernambucana, desde 2014, Vassoureiro é considerado Patrimônio Vivo de Pernambuco, com a incrível marca de mais de dez milhões de máscaras produzidas.

2. Mestre Antônio Rodrigues

Os bonecos de pouco mais de 30 cm do Mestre Antônio Rodrigues representam um homem vestindo a fantasia de urso e são bem fiéis às que são vistas nos carnavais de rua de Pernambuco — Foto: Alexandre Disaro / Divulgação

Mestre Antônio Rodrigues é conhecido por seus bonecos de barro policromados. Nascido em Alto do Moura, bairro de Caruaru, tido como o maior centro de artes figurativas das Américas, ele se tornou ceramista por influência do pai, o Mestre Zé Caboclo, e de amigos como o Mestre Vitalino.

Também se dedica a reproduzir as cenas do cotidiano pernambucano, dentre elas a La Ursa, com figuras de pouco mais de 30 cm, que representam um homem vestindo a fantasia de urso – bem fiéis às que são vistas nos carnavais de rua do Estado.

3. Aline Feitosa

A La Ursa foi a primeira personagem que Aline Feitosa começou a criar e, atualmente, sua produção chega a 300 cachepôs por mês — Foto: Chico Porto / Divulgação

Aline Feitosa veio da área de comunicação, na qual atuou por 25 anos, quando começou a trabalhar com cerâmica por hobby, em 2020. Moradora de Olinda, sempre esteve envolvida no cenário cultural da cidade, por isso seu desejo era fazer peças que unissem as tradições locais e, ao mesmo tempo, tivessem uma função utilitária.

A La Ursa foi a primeira personagem que ela começou a criar a partir do barro e, desde então, nunca mais parou, com seus cachepôs que viraram sucesso. Atualmente, chega a produzir cerca de 300 peças mensais.