Artesanato se torna a principal fonte de renda de diversas etnias

Tendo os materiais naturais como os principais pilares de sua produção, algumas etnias são reconhecidas nacional e internacionalmente

Da Redação / portald24@diarioam.com.br
Publicado em 17 de abril de 2024 às 06:30

Manaus – Com a segunda maior população indígena do mundo de acordo com o IBGE, o Brasil conta com aproximadamente 900 mil indígenas, mas ainda é o maior em número de etnias. São 305 povos espalhados por todas as regiões do país e falando cerca de 274 línguas. Dentre elas, algumas utilizam seus saberes e ofícios tradicionais para conquistar independência e para gerar uma renda que acaba sendo crucial para a proteção de seus territórios e para a manutenção de seus costumes.

(Foto: Divulgação)

“Para muitas dessas etnias, o artesanato tradicional transmitido de geração a geração, tem sido uma ferramenta de fortalecimento das suas identidades. É por meio do fazer manual que eles têm conseguido não só manter vivas as suas tradições, mas também têm levado educação formal para as aldeias, têm tido mais acesso à saúde e também têm acessado bens e ferramentas que facilitam o dia a dia da aldeia, permitindo que eles tenham mais tempo para seus afazeres tradicionais”, revela Lucas Lassen, diretor da Paiol, marca que trabalha com produtos de cerca de 50 comunidades indígenas.

Artistas e artesãos da etnia Mehinaku, que tem uma população aproximada de 300 pessoas divididas em quatro aldeias, conquistaram total autonomia graças à sua extensa produção de bancos, redes e esteiras. “Aprender a lidar com o dinheiro foi uma das formas que encontramos de manter a nossa cultura viva. Para nós, esse processo começou ainda na década de 1990, quando nossos líderes viram que havia interesse comercial nas peças que produzimos e, ao invés de só fazer trocas por outras mercadorias, passamos a vender e oferecer o nosso artesanato em lojas de grandes cidades como Brasília e São Paulo”, revela o artesão e artista Kulikyrda Mehinaku, que nos últimos anos viu uma valorização dos trabalhos feitos por sua família.

Tendo os materiais naturais como os principais pilares de sua produção, algumas etnias são reconhecidas nacional e internacionalmente por conta de sua produção artística. “São panelas, redes, bancos e acessórios que continuam fazendo parte do cotidiano deles, mas que também são tidas como grandes obras de artes presentes em galerias, coleções particulares e projetos de decoração”, completa Lassen.

Na semana em que se comemora o Dia Nacional dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, conheça quatro etnias brasileiras que se destacam por seu exímio trabalho na cerâmica, madeira, palha e nos acessórios.

Baniwa – Cestaria

Com a fibra de arumã tingida, os Baniwa desenvolve trançados com grafismos próprios – Fotos Carol da SIlva (esq.) e Penelope Bianchi (dir.)

Localizado no noroeste amazônico, em uma região que se estende pelas fronteiras do Brasil com a Colômbia e a Venezuela, o povo Baniwa tem a fibra de arumã – uma espécie de cana – como principal matéria-prima. No mundo das artes, eles ganham destaque pelas cestarias, que ganham trançados com grafismos que fazem referência às suas pinturas corporais utilizadas em rituais. Por conta do arumã, que é maleável, mas naturalmente mais seco que outras fibras, as peças ganham uma certa rigidez, o que garante cestos em formatos harmônicos e curvilíneos. Para comercializar seus trabalhos, eles criaram a marca Arte Baniwa, uma parceria da OIBI (Organização Indígena da Bacia do Içana), a FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) e o ISA (Instituto Socioambiental).

Mehinaku – Bancos e Redes

O artesão Kulikyrda Mehinaku começou no artesanato ainda na adolescência – Fotos Lucas Rosin/Yankatu

Embora o Brasil tenha bancos indígenas produzidos por centenas de etnias, a produção Mehinaku está entre as mais relevantes. Localizados no Território Indígena do Xingu, no Mato Grosso, as atividades artesanais da etnia são divididas por gênero. Os homens são conhecidos pelos bancos em formatos zoomorfos, que imitam os animais da floresta. Tatus, macacos, antas, tamanduás, entre outros, ganham vida a partir de troncos de madeira. Já as mulheres, são conhecidas pelas esteiras e redes feitas com a fibra do buriti. Como toda a economia da etnia gira em torno da arte, eles têm diversificado sua produção, com acessórios e até pinturas que remetem aos grafismos da etnia.

Waurá – Cerâmica

A partir da cerâmica, os Waurá fazem panelas e potes que fazem referência à mitologia da floresta – Fotos Mariana Chama e Paiol

Também do Xingu, os Waurá (ou Waujá) têm a produção cerâmica como uma prática milenar que considera a prática como uma metáfora da identidade Waurá, sendo uma espécie de extensão de suas identidades. Suas panelas e potes em diversos tamanhos e formatos – zoomorfos ou não – ganham pinturas gráficas e lúdicas feitas a partir de pigmentos naturais como o urucum e outras plantas. Mesmo sendo consideradas obras de arte, as peças continuam sendo utilizadas no cotidiano das aldeias. “O fogo acaba apagando as lindas pinturas, mas para ele isso não é um problema, é parte do entendimento de que tudo tem um começo, um meio e um fim. Depois, eles fazem outras que, eventualmente, ficam até mais bonitas”, afirma Lassen.

Kayapó – Acessórios

Os Kayapós se destacam nos acessórios com miçangas, penas e outros materiais – Fotos Paiol + Penelope Bianchi

Localizados em uma região que se estende do Mato Grosso ao Pará, às margens de rios afluentes do rio Xingu, os Kayapós têm uma população de aproximadamente 12 mil pessoas, sendo uma das maiores etnias do país. Como o uso de roupas foi um costume adotado apenas recentemente, eles ficaram bastante conhecidos por suas pinturas, adornos e acessórios corporais. Essa característica lhes trouxe destaque na produção de acessórios, sobretudo com miçangas. Colares, brincos, pulseiras e outros acessórios ganham grafismos culturalmente ligados à etnia.


Reportagem em outros veículos:

Revista Zelo: Dia dos Povos Indígenas: descubra 4 etnias que se destacam na produção artística – Revista Zelo

Povo na Rua: Fruto do cotidiano indígena, artesanato se torna principal fonte de renda de diversas etnias – Povo na Rua

Gazeta da Semana: Dia dos Povos Indígenas: conheça 4 etnias que se destacam na produção artística – Gazeta da Semana

Jornal do Belém: Dia dos Povos Indígenas: conheça 4 etnias que se destacam na produção artística – Jornal do Belém (jornaldobelem.com.br)

Revista USE: Descubra quatro etnias indígenas cujos trabalhos se destacam na arte da decoração – Revista USE

Isso É Notícia: No Dia dos Povos Indígenas, conheça 4 etnias brasileiras que se destacam no mundo das artes – Isso É Notícia (issoenoticia.com.br)

Portal de notícias de MT: 4 etnias brasileiras que se destacam no mundo das artes, 2 de Mato Grosso; veja | RDNEWS – Portal de notícias de MT

Itaquera em notícias: Dia dos Povos Indígenas: conheça 4 etnias que se destacam na produção artística – Itaquera em Notícias (itaqueraemnoticias.com.br)

No Dia Mundial do Artesão, conheça seis artesãos que moldaram suas vidas a partir da arte

Há décadas, eles têm usado diferentes técnicas para criar peças cheias de identidade

Paiol

Celebrado no dia 19 de março, o Dia Mundial do Artesão serve para nos fazer refletir acerca da contribuição deste profissional para a formação da identidade nacional. Com técnicas e saberes que chegaram a partir da imigração ou que já nasceram aqui com os povos originários, em cada canto do país, o artesanato ganhou contornos brasileiros, assimilando características tanto dos locais, quanto das pessoas que o fazem. Neste contexto, para além da importância social e econômica deste trabalho, homenagear os artesãos é uma forma de valorizar uma riqueza que é difícil de ser mensurada, mas que é facilmente percebida por quem convive com estes grupos no dia a dia. 

“Para muitos destes artesãos, a partir da modelagem do barro, do trançado de palha, do entalhe ou da tecelagem, eles criam peças que se tornam extensões ou reflexos de si mesmos. No Jequitinhonha, por exemplo, elas criam bonecas inspiradas nas características das mulheres da região. Já no Xingu, eles produzem peças que representam não só os animais silvestres, mas também os grafismos indígenas que eles utilizam no próprio corpo em rituais e cerimônias religiosas. O valor do artesanal está justamente na possibilidade do artesão imprimir na peça as suas visões, percepções e sonhos que resultam em trabalhos repletos de identidade e originalidade”, afirma Lucas Lassen, curador e diretor criativo da Paiol, que trabalha com cerca de 400 grupos de todo o Brasil.

Abaixo, descubra seis artesãos com histórias e trabalhos que valem a pena conhecer.

Mestre Jasson

Mestre Jasson é um dos destaques do artesanato alagoano – FOTOS Carlos Guerreiro, Salvador Cordaro e Felipe Brasil

Nascido no povoado de Monte Santo, em Belo Monte, no interior de Alagoas, Jasson Gonçalves da Silva figura entre os principais artesãos brasileiros com peças em museus, galerias e grandes coleções de arte popular. Mas nem sempre foi assim. Ainda jovem, em busca de trabalho, ele se mudou para Salvador, onde exerceu diversas funções até acabar em uma produtora de cerâmica. Por lá, começou a produzir pequenas peças utilitárias, aprendendo com um amigo português. Depois de 15 anos na Bahia, ele decidiu voltar à sua terra natal e tentar continuar por lá o trabalho com a cerâmica. “Não deu muito certo, porque o barro daqui da região é muito ruim. Você faz 20 peças e aproveita duas ou três, porque depois da queima, a maioria acaba quebrando”, revela o artesão. 

Por influência de Maria Amélia Vieira, da Karandash, tradicional galeria de Maceió, por volta de 2013 ele acabou se dedicando à madeira, utilizando o entalhe e técnicas de encaixe que se tornaram sua marca registrada. “Um dia, ela chegou me contando uma história sobre um rei que teria se perdido na mata e que, para manter sua majestade, precisou construir um trono com galhos secos descartados de timbaúba, algarobeira e imburana, espécies típicas do sertão. Aquilo ficou na minha cabeça e eu passei a construir a partir da imaginação”, completa Jasson. 

Foi aí que nasceram suas cadeiras, que têm saído do sertão para ganhar o Brasil e o mundo. Além de pinturas coloridas, as peças contam com flores, estrelas, cactos e qualquer outro elemento que habite o mundo dos sonhos do artista. Pai de cinco filhos, apenas um tem seguido os passos do pai. Mas ele também tem influenciado outros parentes e amigos a seguirem pelo caminho das artes.

Mestre Antônio Rodrigues

Antônio Rodrigues produzindo a La Ursa, personagem tradicional do carnaval pernambucano – FOTO Arquivo Pessoal e Alexandre Disaro

Morador do maior centro de artes figurativas das Américas, no bairro de Alto do Moura, na cidade de Caruaru, em Pernambuco, o artesão Antônio Rodrigues segue o legado deixado por seu pai, Zé do Caboclo que ao lado dos Mestres Vitalino e Manuel Eudócio, foi responsável por algumas das obras mais representativas do sertão nordestino. Antônio, que começou no ofício como ajudante no ateliê de seu pai fazendo pinturas e preparando a matéria-prima, fez a primeira peça aos 15 anos e, desde então, nunca mais parou. 

Inspirado pela estética, fauna e flora do agreste e pelo cotidiano da vida rural, ele já criou peças com projeção nacional e internacional. Ele foi um dos artesãos brasileiros convidados para representar a arte popular brasileira no Ano do Brasil na França, que aconteceu em 2005. Além disso, uma de suas obras mais icônicas, que retrata um engenho de rapadura, é parte do acervo do Museu do Pontal, no Rio de Janeiro. Antônio também é um dos artesãos que utiliza o barro para representar a La Ursa, personagem tradicional do carnaval pernambucano. “O que me inspira é o meu quintal, as ruas, as pessoas e tudo o que se encontra por aqui”, completa o artesão. 

Antônio é casado e divide o ateliê com Maria Luci, com quem teve quatro filhos, e que é responsável pela pintura de suas peças. Atualmente, Amanda, a terceira filha do casal, também segue na mesma profissão levando adiante a tradição familiar nas artes.

Anaisa Rosa

Anaísa é a quarta geração da família no artesanato – FOTOS Theo Grahl e arquivo pessoal

Filha, neta e bisneta de artesãos, Anaisa Rosa está no artesanato desde os 9 anos de idade. Hoje, aos 27, e parte da quarta geração da família na profissão, ela integra a equipe da Associação de Artesãos de Santa Brígida, criada por seu avô, José Valdo Rosa, na cidade de Santa Brígida, no interior da Bahia. Por lá, eles trabalham com duas técnicas: o trançado da fibra de Licuri e o entalhe em madeira. Seu avô foi o responsável por criar a associação, que hoje conta com pouco mais de 30 pessoas, muitas delas sendo primos, irmãos e cunhados que chegam à família já entrando no contexto do artesanato. 

A fibra de licuri é utilizada para produzir peças utilitárias e decorativas, como cestas, porta-joias e fruteiras. Já a partir do entalhe na umburana – madeira nativa da região – eles criam pássaros inspirados no Galo de Campina, também conhecido como Cardeal-do-Nordeste. “Aqui é mais comum que os artesãos se dediquem mais a uma técnica ou outra, mas eu acabei aprendendo a fazer os dois, tanto o entalhe, quanto o trançado”, revela a artesã.

Nenê Cavalcanti

Nenê Cavalcanti em seu ateliê, em João Pessoa, na Paraíba, e uma de suas peças – FOTOS Arquivo pessoal e Theo Grahl

Dentre os principais nomes do estado da Paraíba nas artes plásticas, Nenê Cavalcanti foi a primeira de sua família a enveredar por este mundo. Filha de um agricultor e uma dona de casa, ela conta que seus pais – devido à simplicidade – não gostavam da ideia de ter um filho artista. “Eles não incentivavam nem um pouco quando eu era criança, porque eles queriam que nós tivéssemos um trabalho formal, de preferência na roça. Mas mesmo assim, eu já criava pequenas peças com barro”, revela. 

Mais tarde, nos anos 1970, ela se mudou para João Pessoa e acabou estudando enfermagem, visto que perdeu o prazo para a prova do curso de Artes. Quando foi ingressar na área, passou a utilizar suas habilidades artísticas para trabalhar com crianças com deficiências, o que reacendeu seu interesse por se tornar artista. Desde seu retorno à faculdade no final da década de 1970 e começo de 1980, ela nunca mais parou de trabalhar com o barro e a cerâmica. 

Hoje, com um trabalho que se espalhou pelo mundo em coleções particulares, eventos e exposições, suas obras estão fortemente ligadas ao universo feminino. Mulheres cheinhas, de diferentes cores e texturas de cabelo fazem parte de seu portfólio. Outro destaque fica para seus anjinhos deitados sobre as próprias pernas, que fazem referência à posição atípica que sua filha, Juliana, dormia quando bebê.

Maraki Waurá

Maraki, que entrou na profissão por influência dos pais, trabalha com diversas técnicas, mas se destaca na cerâmica – FOTO Arquivo Pessoal e Paiol/Divulgação

Filho de artesãos, Maraki Waurá (ou Waujá), é parte de uma das etnias indígenas que mais se destacam na produção artesanal brasileira, a Waurá. Reconhecidos majoritariamente pela cerâmica, com a qual produzem peças utilitárias que são verdadeiras obras de arte, eles habitam o Território Indígena do Xingu, no Mato Grosso, próximos a outras etnias com as quais dividem outras técnicas como o entalhe da madeira, o trançado de palha e o trabalho com as miçangas. 

Trabalhando há mais de 20 anos como artesão, Maraki mantém a tradição de seu povo, produzindo panelas, potes e vasos zoomorfos – que imitam as formas e características dos bichos da floresta – além de criar outros elementos utilizados em rituais e cerimônias religiosas. “Mais do que ser a principal fonte de sustento da nossa aldeia, o artesanato é parte da identidade do indígena, ele é ferramenta de trabalho, é onde colocamos o alimento, onde sentamos e dormimos. É praticamente uma extensão do que nós somos”, completa o artesão.

Zezinha

Zezinha cria peças utilitárias e bonecas se inspirando nas mulheres da região do Jequitinhonha – FOTOS Arquivo Pessoal e Alexandre Disaro

Seguindo a tradição da maioria das artesãs do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, Maria José Gomes da Silva, a Zezinha, começou no artesanato ainda criança, aos 11 anos de idade, ajudando sua mãe, a também artesã Maria Gomes. “No Vale, a gente já nasce neste universo artesanal. Nossas mães, avós, bisavós e tias estão há várias décadas modelando a vida no barro”, afirma Zezinha, que também acabou influenciando a escolha profissional das duas filhas, Aline e Cláudia. 

Assim como outras mulheres de sua comunidade, seu trabalho está fortemente ligado à uma infância sem brinquedos que a estimulou a usar o barro para explorar sua criatividade e a ludicidade, sobretudo na criação de bonecas. Ao longo destes mais de 40, ela tem feito peças utilitárias e decorativas, como vasos, flores, filtros e muitas outras. Mas sua predileção pelas bonecas a transformou em uma artista que tem peças em coleções de várias partes do mundo, com obras na sede da Organização das Nações Unidas – ONU, em Nova Iorque, e na coleção pessoal de Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França. 

Hoje, aos 55 anos e com uma produção propositalmente mais devagar, ela conta com a ajuda do marido, Ulisses, na comercialização e logística das peças.

Artesanato baiano celebra Iemanjá

Entidade tem homenagens na música, na arte popular e no artesanato

Iemanjá representada no artesanato baianoFoto: Penellope Bianchi

Em 2 de fevereiro, comemora-se o Dia de Iemanjá. Tida como uma das figuras mais populares das religiões de matrizes africanas, a orixá é reconhecida pelo povo Iorubá como a rainha das águas.

No Brasil, o culto em sua em sua homenagem transferiu-se para o mar, visto que no processo de desenvolvimento da religiosidade africana em solo brasileiro, os rios e cachoeiras de água doce foram atribuídos à outra orixá da mitologia iorubá, Oxum.

O estado da Bahia, primeiro local a receber povos de diversas regiões do continente africano por conta do processo de colonização, se estabeleceu como o berço do Candomblé e da Umbanda, tendo o maior número de devotos destas religiões.

Na música, ela está presente em canções de alguns dos maiores ídolos nacionais, como Dorival Caymmi, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gal Costa, entre outros. Nas artes manuais, ela também se destaca em diferentes formatos, técnicas e materiais.

“A Bahia é o local que mais concentra artesãos e artistas populares que representam esta entidade por conta do processo histórico que a levou a ser a região do Brasil com o maior número de pessoas de origem africana. E embora cada artista ou artesão imprima a sua própria identidade, as diferentes Iemanjás que encontramos por lá carregam consigo algumas características específicas que nos permitem identificá-la. O vestido, quase sempre em tons de azul, e o espelho na mão direita são alguns desses elementos”, revela Lucas Lassen, curador e diretor criativo da Paiol, uma das principais lojas de artesanato de tradição e arte popular do país. 

O nome Iemanjá vem da expressão “Yéyé Omó Ejá”, que numa tradução literal seria algo como “mãe cujos filhos são peixes”. Como resultado do sincretismo religioso brasileiro, que associa figuras africanas e indígenas a símbolos da Igreja Católica, Iemanjá também é frequentemente relacionada à Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora das Candeias e até mesmo à Virgem Maria. Por meio da cerâmica, do metal e outras técnicas, artesãos baianos têm utilizado a criatividade para representar sua fé e devoção àquela que é considerada a rainha do mar. 

Jan Araújo | Lençóis, Chapada Diamantina

Nascido em Salvador, mas criado em Lençóis, na Chapada Diamantina, Jan Araújo começou no artesanato por influência de seu pai, que também é ceramista. Com ele, trabalhou dos 13 aos 26 anos, quando decidiu deixar o ofício para se aventurar em outras áreas.

Longe do fazer manual e em outras cidades, ele trabalhou em um campo de Golf e também em lojas de equipamentos para trilhas, visto que a região da Chapada é reconhecida por suas montanhas. “Por mais que a gente tente se afastar da arte, aquele que é artista sempre acaba se reaproximando dela”, revela. E assim ele o fez.

Em 2011, depois de voltar ao ateliê, ele levou algumas peças para uma feira de negócios para artesãos realizada pelo Sebrae. “Lá, eu vendi todas as obras e saí com várias encomendas. Foi o sinal que eu precisava para seguir com este trabalho”, afirma Jan.

Inspirado pela artista plástica Eliana Kertész, Jan Araújo diz gostar de fazer peças “cheinhas”

Embora não siga uma religião de matriz africana, ele diz que a relação com os orixás é parte do cotidiano da Bahia. Como isso, desde muito cedo, as entidades do Candomblé costumam fazer parte de seu portfólio. Para os orixás e outras peças,

Jan desenvolveu um estilo próprio que, segundo ele, é influenciado pelas obras da artista baiana Eliana Kertész (1945-2017), reconhecida por esculturas de mulheres volumosas e com formas arredondadas. “Eu gosto desta ideia de peças gordinhas e, no meu caso, eu acho que a cerâmica favorece este formato. Por isso, a minha Iemanjá é assim, mais cheinha, mas continua carregando os elementos que remetem ao movimento do mar”, completa.

Aless Teixeira |Salvador

Os primeiros trabalhos de Alessandro Teixeira, mais conhecido como Aless, foram ainda na adolescência, por volta dos 16 anos de idade, por influência do pai, que também é artesão. Trabalhando com o latão, o cobre e diferentes tipos de metais, ele passou a criar peças bastante populares no artesanato baiano, como a figura do peixe e as pencas de balangandãs, também conhecidas como jóias de crioulas.

Depois de sair do ateliê de seu pai em 2002, ele abriu o próprio espaço, porém, em seus processos de criação, passou a estudar as contribuições artísticas de outros nomes baianos nas artes como Jorge Amado, Mário Cravo, e também o escultor Tatti Moreno, com quem teve a chance de trabalhar por 12 anos. “Eu trabalhava metade do tempo na minha oficina e a outra metade com o Tatti. Neste período, fui aperfeiçoando minhas técnicas e desenvolvendo a minha identidade estética”, diz Aless. 

Aless utiliza os metais para dar vida às suas criações

Sua relação com os orixás vem de sua religião, o Candomblé, onde ele é Ogã suspenso por Iemanjá, o que significa que elé um tipo de sacerdote que, durante os rituais litúrgicos, atua como uma espécie de zelador da casa, mantendo a segurança e dando suporte a todos aqueles que incorporam os orixás, além disso, é responsável pelo toque dos atabaques e pelas oferendas.

“O terreiro que eu frequento é regido por Iemanjá e a minha relação com ela é muito forte. Por isso, no meu trabalho, eu gosto de manter as características litúrgicas, não só com ela, mas com qualquer entidade religiosa. Acho que é importante manter as características originais”, completa. 

Karla Issa | Salvador

Nascida e criada em Salvador, Karla Issa começou a se interessar pelo artesanato aos 15 anos, quando passou a fazer as próprias roupas, a produzir colares com estética africana feitos com pedrarias e a vendê-los no centro histórico da cidade. “Por parte de mãe, quase todos tinham alguma habilidade artística desenvolvida de forma autodidata. Além disso, nos anos 1970, ainda existia uma aura meio hippie no mundo que nos incentivava a criar coisas”, revela. Mais tarde, ela se formou em Assistência Social, profissão que exerce até hoje e que divide o tempo com os trabalhos artesanais. 

Karla Issa faz pequenos oratórios em homenagem a orixás e santos católicos

Sua relação com os orixás também vem de sua religião. No Candomblé, Karla é Ekedi, posto feminino de alta importância, cuja função é zelar pelos seus companheiros em transe tomados pelos orixás no momento dos rituais. Utilizando materiais majoritariamente reciclados, seus trabalhos estão fortemente ligados às liturgias religiosas. Karla faz escapulários e oratórios, utilizando retalhos de couro, caixas de fósforo e técnicas de pintura. Dentre elas, as peças mais procuradas por clientes costumam ser de Iemanjá.

Mestre Gerard e Elson | Barra

No oeste da Bahia, às margens do encontro entre o Rio São Francisco e o Rio Grande, está a cidade de Barra, onde nasceu o artesão José Geraldo Machado da Silva, mais conhecido como Mestre Gerard, por causa de um apelido de infância que ele adotou como nome artístico. Católico de criação e candomblecista por iniciação, ele utiliza o barro dos rios que cortam a cidade para criar esculturas que refletem o sincretismo religioso.

De forma autodidata e inspirado pelas histórias que ouvia quando criança, de que os escravizados cultuavam os orixás usando santos católicos, ele cria peças que retratam duas imagens em uma. Assim, Oxóssi se mistura com a bravura de São Jorge e as vestes de Nossa Senhora das Candeias com as de Iemanjá, formando peças nas quais as duas crenças convivem em harmonia.


Gerard tem ensinado seu ofício a dezenas de artesãos ao longo do tempo

Além de artesão, Gerard é Babalorixá do terreiro Pai Xangô das Cachoeiras, local onde mora e no qual também funciona seu ateliê escola, onde tem ensinado gratuitamente diversos artesãos. Elson Alves, seu primeiro discípulo, trabalha em conjunto com o mestre desde 1994, não só no ateliê, mas também nas atividades do terreiro. “Ele é meu tio de segundo grau e, boa parte do que sei foi ele quem me ensinou. Dia 2 de fevereiro, para nós é uma data importante, porque fazemos um cortejo especial para Iemanjá que atravessa parte da cidade celebrando a grandeza desta orixá”, finaliza Elson. 

Casa Bonita apresenta uma nova coleção de cerâmica inspirada na obra de Oscar Niemeyer

Peças foram desenvolvidas por artesãs do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais

A partir do dia 30 de janeiro, a Casa Bonita, atacadista do setor de decoração, apresenta a Coleção Linhas e Curvas, inspirada na obra do arquiteto Oscar Niemeyer. A coleção, idealizada por Cecília Rima, diretora da Casa Bonita, Lucas Lassen, curador e diretor criativo da Paiol, e Lucila Turqueto, da Casa de Valentina, conta com 15 peças decorativas de cerâmica feitas por artesãs do Vale do Jequitinhonha.

.“Sempre me interessei pela ousadia e o brilhantismo do Oscar Niemeyer. Numa conversa com a Ciça e o Lucas surgiu a ideia de trazer essa referência para a cerâmica. Depois que as artesãs aceitaram o desafio começamos os estudos e aos poucos a coleção começou a ser construída. Quando ficou pronta o resultado encantou a todos nós”, revela Lucila.

.Produzidas por 15 artesãos de Campo Buriti, Campo Alegre e Poço D’água, as peças ganham uma coloração que puxa para os tons dourados, com pigmentos produzidos naturalmente a partir de diferentes tipos e tonalidades do barro. De acordo com Cecília, o processo durou aproximadamente um ano. “São cachepots, garrafas, vasos, pratos e potes com grafismos que remetem ao legado do arquiteto e, algumas das peças, em formatos que até então não tinham sido criados pelos artesãos”, completa.

Entre as peças, as boleiras se assimilam ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói – Créditos Cacá Bratke e Karin Gimenes
Outras travessas têm grafismos em referência à Catedral Metropolitana de Brasília – Créditos Cacá Bratke e Karin Gimenes

Esta é a quarta coleção que resulta de uma parceria entre Cecília, Lucas Lassen e artesãos do Jequitinhonha. Morador de Campo Buriti desde 2020, Lucas se divide entre o Vale e a cidade de São Paulo, e tem sido um agente importante na interlocução entre as artesãs e grandes redes varejistas e atacadistas. Juntos, eles já lançaram Mulheres do Vale, Raízes do Vale e Cores e Mãos do Cerrado. As duas últimas chegaram a ser apresentadas na Maison Objet, uma das principais feiras internacionais de decoração que acontece em Paris, na França.

.“A ideia é sempre buscar a sustentabilidade econômica e social da comunidade por meio do artesanato. Por isso, sempre pulverizamos o trabalho entre diversos artesãos. Neste caso, a produção das peças segue os mesmos moldes das peças tradicionais, mas o que tem mudado é a possibilidade deles utilizarem as mesmas técnicas e a criatividade para ampliar o seu portfólio de produtos sem perder a sua identidade. Isso contribui não só para o aumento da renda na comunidade, mas também estimula os jovens a darem continuidade a esta técnica secular na região”, finaliza Lucas.

.O lançamento ocorre na ABUP Decor Show, evento da Associação Brasileira de Empresas de Utilidades e Presentes, que ocorre até o dia 3 de fevereiro e é voltada para lojistas, arquitetos, engenheiros e designers de interiores. Os visitantes devem se credenciar pelo site.

.Serviço

ABUP Decor Show – Stand Casa Bonita

30 de janeiro a 3 de fevereiro de 2024

PRO MAGNO Centro de Eventos – Av. Profa. Ida Kolb, 513 – Jardim das Laranjeiras, São Paulo

.By Angelo Miguel | Bacuri Comunicação

Imagens: Créditos Cacá Bratke e Karin Gimenes

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Férias em SP: Roteiro cultural para fazer usando a Linha Amarela do Metrô

Linha que liga a zona oeste ao centro de São Paulo, tem em seu entorno, museus, exposições, lojas de arte popular e galeria que é ícone na cidade

Foto: Diogo Moreira / A2 Fotografia

Embora boa parte da população paulistana esteja fora da cidade no mês de janeiro por conta das férias escolares e coletivas, São Paulo se mantém como uma grande fonte de atividades culturais para turistas de outros locais e moradores que decidiram não viajar. Neste sentido, um dos destaques fica para o percurso no entorno da linha amarela do metrô, que interliga a Vila Sônia, na zona oeste, à Luz, no centro da cidade. Transportando cerca de 800 mil pessoas diariamente, a região é reconhecida como o principal pólo cultural de São Paulo por reunir museus, lojas de artesanato brasileiro, galerias, entre outros espaços. Abaixo, listamos algumas atrações que ficam a poucos metros de algumas das principais estações da linha.

Museu da Língua Portuguesa | Estação da Luz

Museu da Língua Portuguesa. Fotos: Dianarchitect / Divulgação

Na cidade com o maior número de falantes da língua portuguesa no mundo, a estação da Luz abriga um museu dedicado à língua. O Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado em 2006 com projeto assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e é uma iniciativa da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Por lá, é possível conhecer a história do idioma, passando por suas raízes latinas e interações indígenas, africanas, árabes, entre outras. O museu mistura diferentes tecnologias, trazendo dezenas de atrações interativas, conteúdo audiovisual e salas imersivas. Entre 2015 e 2021, a instituição esteve fechada por conta de um incêndio. Porém, agora o prédio ganhou aperfeiçoamentos na infraestrutura, recursos de acessibilidade física e segurança. Até o dia 26/01, sempre de terça a sábado, das 10h às 17h, o museu está com a Estação Férias – Brincadeiras Musicais, na qual oferece brincadeiras, jogos lúdicos, karaokê ambulante, oficinas e apresentações artísticas que dialogam com o tema da atual mostra temporária, Essa nossa canção, sobre a relação da língua portuguesa com a canção popular brasileira. Para participar desta programação, não precisa pagar nada: só chegar e brincar.   

Onde: Praça da Luz – Ao lado da Estação da Luz 

Quando: de terça-feira a domingo, das 9h às 16h30. Quem entrar neste último horário pode ficar até as 18h.

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

Aos sábados, a visitação é grátis. Crianças até 7 anos não pagam.

Mais informações: Venda de ingressos na bilheteria e pela internet

Paiol | Estação Fradique Coutinho

Fotos: Salvador Cordaro

Uma das principais referências em artesanato de tradição e arte popular na cidade, a Paiol é uma loja que reúne trabalhos de mais de 400 grupos e artesãos de todas as regiões do Brasil. Com uma recém-inaugurada unidade na esquina entre a Rua Fradique Coutinho e Arthur de Azevedo, em Pinheiros, da zona oeste de São Paulo, além da venda, o espaço propõe também experiências imersivas. Com cerca de 130m² a loja recebeu uma nova roupagem para promover um mergulho do visitante pelo universo da arte popular brasileira, com referências que passam sobretudo por contribuições indígenas e pelo movimento armorial. Atualmente, é possível visitar a exposição fotográfica “Pelos olhos da gente”, com curadoria de Lucas Lassen, diretor criativo e fundador da marca, e registros feitos pelo fotógrafo Salvador Cordaro. 

Onde: Rua Fradique Coutinho, 172, Pinheiros – a 3 minutos a pé da Estação Fradique 

Quando: segunda a sábado, das 10h às 20h | domingo, das 11h às 18h

Quanto: Entrada gratuita. É possível encontrar trabalhos artesanais a partir de R$ 30,00

Mais informações:  (11) 3063-0175 ou Instagram @lojapaiol 

Instituto Artium | Estação Higienópolis-Mackenzie

Foto: Divulgação

Fundado em 2019, o Instituto Artium de Cultura, instituição sem fins lucrativos, ocupa o Palacete Stahl na Rua Piauí, em Higienópolis. A propriedade de 1700m² e arquitetura eclética, foi construída entre 1920 e 1921 no estilo Luis XVI com objetivo de hospedar a primeira representação diplomática da coroa da Suécia em São Paulo e de servir de residência ao cônsul, o Comendador Gustav Stahl. Ao longo dos anos, o prédio teve sua função como residência familiar de membros da aristocracia brasileira e, mais tarde, como sede das representações diplomáticas do Japão e da Espanha. Em 1980, depois da transferência de sede do corpo diplomático do Japão, a construção perdeu seu uso. Recentemente, o palacete Stahl passou por um minucioso trabalho de restauro visando a manutenção e recuperação de seu valor histórico. Com isso, o prédio passou a receber diversas exposições e atividades culturais. 

Até março, acontece a exposição Terzo Paradiso, do artista italiano Michelangelo Pistoletto. Celebrando 90 anos de vida, ele é um dos principais expoentes da arte povera, movimento artístico que consiste na reutilização de materiais tidos como inúteis, como a sucata, para a formação de esculturas e obras de arte. 

Onde: Rua Piauí, 874 – Higienópolis | a 11 minutos a pé da Estação Higienópolis-Mackenzie 

Quando: terça a domingo, das 9h às 18h

Quanto: Entrada gratuita

Mais informações: contato@institutoartium.org.br ou (11) 3660-0130

Exposição Ensaios para o Museu das Origens

Estações Faria Lima e Brigadeiro

Foto: Letícia Vieira

Até o dia 28 de janeiro, é possível visitar Ensaios para o Museu das Origens que acontece no Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros, e também no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. A exposição é inspirada na proposta de Mario Pedrosa para a reconstrução do MAM-Rio depois de atingido por um incêndio em 1978. Para o crítico, além do restauro, devia se repensar o seu papel reunindo, ali, os museus de Arte Moderna; do Índio e do Inconsciente, que já existiam, e os museus do Negro e das Artes Populares, a serem criados. Sua ideia, que nunca se concretizou, agora deu vida à mostra que  está em cartaz em cinco salas das duas instituições e reúne mais de mil itens, entre pinturas, esculturas, documentos, fotografias e vídeos, entre outros. O objetivo é apresentar um percurso pela história do Brasil, tomando a arte e a cultura como alicerces e passando pela memória de múltiplas ancestralidades. Para chegar ao Tomie Ohtake, é possível andar por cerca de 9 minutos partindo da estação Faria Lima. Já para chegar ao Itaú Cultural, é preciso fazer a transferência da linha amarela para Consolação, na linha verde, e descer na Estação Brigadeiro. 

Instituto Tomie Ohtake

Onde: – Rua Coropé, 88,  Pinheiros | 9 minutos a pé da Estação Faria Lima

Itaú Cultural

Onde: Avenida Paulista, 149, Bela Vista | 4 Minutos a pé da Estação Brigadeiro

Quando: terça a sábado, das 11h às 20h  | Domingos feriados, das 11h às 19h

Quanto: Entrada gratuita

Mais informações: Pelo telefone (11)2168-1777  Whatsapp: (11)96383-1663  E-mail: atendimento@itaucultural.org.br

Paiol inaugura unidade em Pinheiros com seleção de itens feitos a mão

Lucas Lassen comanda loja de arte com quatro endereços na cidade
Por Humberto Abdo
5 jan 2024, 06h00

Lucas Lassen, diretor da Paiol (Salvador Cordaro/Divulgação)

Criador da loja de arte Paiol, o empresário Lucas Lassen, 45, comanda na Fradique Coutinho a abertura da sua quarta unidade paulistana. Após seis meses de reforma, o endereço em Pinheiros comporta uma seleção de itens artesanais fabricados e garimpados em diferentes estados brasileiros — empreitada que começou com a venda de tapetes em feiras e bancas.

“Direto de Taubaté para estudar na capital, descobri tapetes de Minas Gerais em uma época em que produtos feitos a mão estavam crescendo”, conta. “Lembro que comecei a vender com 2 000 reais de estoque e esgotei tudo no primeiro dia.”

Envolvido em produções culturais e trabalhos com nomes como o diretor Antunes Filho, em 2019 ele passou a dedicar todo o tempo às vendas de peças feitas a mão e investir em pontos fixos. Hoje mantém espaços na Pompeia, na Paulista e na Galeria Metrópole, na República.

“Nunca quis montar uma galeria, e sim dar acesso a essas criações com técnicas que são passadas por várias gerações.”

Publicado em VEJA São Paulo de 5 de janeiro de 2024, edição nº 2874

Mostra fotográfica enaltece o trabalho de renomados artesãos brasileiros

A mostra com imagens do fotógrafo Salvador Cordaro retrata rostos da arte popular e do artesanato brasileiro

Por Rafaela Freitas

Matéria realizada e postada no site https://revistacasaejardim.globo.com/artesanato/noticia/2023/11/mostra-fotografica-enaltece-o-trabalho-de-renomados-artesoes-brasileiros.ghtml
Mostra fotográfica em Pinheiros, São Paulo, retrata rostos de artesãos brasileiros por trás das peças já conhecidas. Na foto, o artista Jasson, de Alagoas — Foto: Salvador Cordaro / Divulgação

Determinado a manter viva a memória do artesanato brasileiro, Salvador Cordaro leva ao bairro de Pinheiros, em São Paulo, uma mostra com nove retratos de nomes ilustres do cenário artístico regional. O evento é organizado pela Paiol, marca dedicada à promoção da arte popular e do artesanato, e sediado durante a reabertura da loja.

Inaugurada em 11 de novembro, a mostra Pelos Olhos da Gente é composta por fotografias em preto e branco, retratando os artesãos e suas obras em contraceno a uma lona e um assoalho de madeira.

“Tenho fotografado artistas de diversas vertentes há alguns anos, e o que mais me interessa neste processo é a possibilidade de ajudar a registrar parte da história do nosso país, criando imagens que farão parte da nossa memória coletiva”, diz Salvador.

Tiago Amorim, artesão de Pernambuco, é conhecido pelas artes em cerâmica — Foto: Salvador Cordaro / Divulgação
Sil da Capela, artesã alagoana que transforma barro em obras de arte — Foto: Salvador Cordaro / Divulgação

Já para Lucas Lassen, diretor criativo e curador da Paiol, a iniciativa aproxima o visitante dos artesãos q4es estão por trás de peças que já fazem parte do nosso imaginário. “É muito comum que as pessoas identifiquem as obras de grandes mestres como Sil, Jasson e Aberaldo, muitas vezes, antes de conhecer os rostos e as mãos por trás daquela criação. Por isso, registrar e mostrar o artesão também é uma forma de conectá-los com aqueles que admiram seus trabalhos”, afirma Lucas.

A loja da Paiol, localizada na Rua Fradique Coutinho, lançou com a exposição o oferecimento de experiências imersivas para além das peças artesanais já conhecidas pelos visitantes. Em adição, o espaço recebe uma nova aparência, com a missão de promover um mergulho pelo universo da arte popular, dando atenção, sobretudo, à arte indígena e ao movimento armorial – conhecido por prestigiar o fazer popular nordestino.

Loja da Paiol, em Pinheiros, tem pinturas do artista Waxamani Mehinaku, com pinturas artísticas ligadas à sua etnia do Alto Xingu, no Mato Grosso. Em outros espaços, a artista paulistana, Carol Shimeji, atualiza e reinterpreta símbolos do Movimento Armorial — Foto: Salvador Cordaro / Divulgação

Exposição fotográfica em Pinheiros abre espaço expositivo na Paiol

Com realização da Paiol, mostra de Salvador Cordaro retrata expoentes da arte popular e do artesanato

Bacuri Comunicação

Salvador Cordaro e Paiol

A partir do dia 11 de novembro, a Paiol, marca dedicada à promoção da arte popular e do artesanato brasileiro, abre em Pinheiros a exposição fotográfica Pelos Olhos da Gente. A mostra traz 9 retratos de mestres artesãos reconhecidos pela sua grande contribuição na formação da identidade cultural de suas regiões. Os mestres Cornélio, Francisco Graciano, Luis Antônio, Sil da Capela, Jasson, Aberaldo, Ismael, DIN e Tiago Amorim foram retratados pelas lentes do fotógrafo e artista visual Salvador Cordaro. 

De acordo com Lucas Lassen, diretor criativo e curador da Paiol, esta é uma iniciativa que visa aproximar o visitante às histórias dos artesãos que estão por trás de peças que fazem parte do nosso imaginário. “É muito comum que as pessoas identifiquem as obras de grandes mestres como Sil, Jasson e Aberaldo, por exemplo, muitas vezes, antes de conhecer os rostos e as mãos por trás daquela criação. Por isso, registrar e mostrar o artesão também é uma forma de conectá-los com aqueles que admiram seus trabalhos”, afirma Lassen. 

Os registros feitos por Cordaro, com estética PB (preto e branco), diante de uma lona simples ao fundo e assoalho de madeira, trazem a simplicidade necessária para colocar os artesãos como elementos centrais da imagem. “Tenho fotografado artistas de diversas vertentes há alguns anos e o que mais me interessa neste processo é a possibilidade de ajudar a registrar parte da história do nosso país, criando imagens que farão parte da nossa memória coletiva”, completa o fotógrafo. 

Experiências imersivas

Lucas Lassen convidou artistas brasileiros para compor a nova identidade visual da loja – Fotos Salvador Cordaro

O evento marca a reinauguração da unidade da Paiol na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, da zona oeste de São Paulo, que agora, além da venda de peças artesanais, propõe também experiências imersivas. Com cerca de 130m² a loja recebe uma nova roupagem que visa promover um mergulho do visitante pelo universo da arte popular brasileira, com referências que passam sobretudo por contribuições indígenas e pelo movimento armorial. 

Para tanto, dois artistas foram convidados para compor ilustrações que decoram as paredes, o teto e as duas fachadas da loja que tem entradas pela Fradique e pela Arthur Azevedo. Com pinturas artísticas ligadas à sua etnia do Alto Xingu, no Mato Grosso, o jovem artista Waxamani Mehinaku, transporta para as paredes pinturas corporais utilizadas em rituais e no cotidiano da aldeia. 

Em outros espaços, a artista paulistana, Carol Shimeji, atualiza e reinterpreta símbolos do Movimento Armorial, iniciativa artística que eleva a arte popular para uma expressão erudita nas artes plásticas, na música e na literatura com raízes nordestinas. “É mais uma forma de homenagear a riqueza da produção artística genuinamente brasileira”, completa Lucas. 

Serviço

Paiol | Fradique

11 de novembro, sábado, das 11h às 20h

Onde: Rua Fradique Coutinho, 172 – Pinheiros, São Paulo

Entrada gratuita

4 pais que encontraram no artesanato uma paixão e o sustento de suas famílias

Neste Dia dos Pais, conheça quatro artesãos brasileiros que vivem da arte e tentam passar o conhecimento para seus filhos

Por Ana Sachs

Matéria realizada e postada no site https://revistacasaejardim.globo.com/artesanato/noticia/2023/08/4-pais-que-encontraram-no-artesanato-uma-paixao-e-o-sustento-de-suas-familias.ghtml POR Ana Sachs
O Mestre J. Borges tem 18 filhos, dos quais cinco seguiram o caminho do pai — Foto: J. Borges / Arquivo Pessoal

Ainda que dominado por mulheres, o artesanato e a arte popular também têm muitos representantes homens. Alguns deles, pais de mais de um filho, encontraram na atividade uma paixão e forma de garantir o sustento de suas famílias.

Muitos chegaram ao ofício influenciados pelas esposas, mas outros encontraram nas artes uma forma de expressão e mudança de vida. Segundo Lucas Lassen, diretor criativo da Paiol, loja de arte popular e artesanato de tradição, são homens que, após trabalhar em serviços pesados, veem no ofício uma alternativa.

Vasos de barro feitos pelo artesão Getúlio, de Campo Alegre (MG) — Foto: Alexadre Disaro / Divulgação

“Alguns herdam essa habilidade artística da própria família. Mas outros a desenvolvem a partir da necessidade ou após se verem obrigados a ficar em casa por problemas de saúde ou pela perda do emprego formal. Com isso, além de se transformar em um ofício, o artesanato também se torna uma ferramenta terapêutica, que melhora a relação entre pais e filhos”, fala Lucas.

Conheça alguns destes pais artesãos!

Mestre J. Borges

Com mais de 60 anos ininterruptos de carreira, José Francisco Borges, conhecido como Mestre J. Borges, é uma das principais referências em xilogravura no Brasil. Natural da cidade de Bezerros, em Pernambuco, é dono de uma técnica própria de talhar e colorir a madeira. Pai de 18 filhos, conta com a companhia de cinco deles no ofício das artes, trabalho com o qual ele sustenta a grande família desde a década de 1960.

Xilogravura “Forró Nordestino”, obra do Mestre J. Borges — Foto: J. Borges / Arquivo Pessoal

“Eu só comecei na xilogravura, porque decidi escrever cordéis. Embora o cordel seja uma arte linda, eu acho que a ilustração traz um encanto para a publicação, mas mandar ilustrar era muito caro naquela época. Por isso, eu decidi ilustrar os meus próprios folhetos usando a técnica da xilo”, conta J. Borges.

Bacaro Borges, de 22 anos, é o mais novo de todos e começou a produzir os seus primeiros trabalhos de xilogravura aos 5 anos, com o auxílio do pai e dos irmãos mais velhos.

Bacaro Borges, filho do Mestre J. Borges, segue o caminho do pai no artesanato — Foto: Paiol / Divulgação

“O que nos diferencia é a vivência. Parte da arte do meu pai apresenta histórias contadas há mais de 60 anos. E mesmo que eu tenha um traço que retrata o Nordeste de forma muito parecida com a dele, percebo que tenho inspiração no hoje, nas demandas sociais, na política e outros temas mais atuais. No que depender da gente, esse trabalho vai seguir por muitas gerações na família”, diz o jovem.

Sr. Gervásio

O artesão Gervásio de Oliveira Santos vive da arte há 30 anos. Natural de Prados, cidade turística próxima a Tiradentes, em Minas Gerais, trabalhou no campo antes de se encontrar na profissão. “Eu fiz todo tipo de serviço disponível na roça. E foi lá mesmo que comecei no artesanato por incentivo do meu cunhado”, relembra.

O pai de quatro filhos é conhecido pelos banquinhos que representam animais silvestres e da fazenda, feitos com madeira de demolição encontrada na região. O mais famoso é o de onça, com pintura amarela e pintas pretas. Em 2022, em parceria com a Paiol, ele lançou o banco Pantera Negra, idealizado por Lucas Lassen.

O Sr. Gervásio tem quatro filhos e trabalhou na roça antes de se tornar um artesão — Foto: Theo Grahl / Divulgação

Atualmente, Gervásio tem a ajuda do filho mais novo, de 15 anos, que demonstrou interesse pelo artesanato. “A gente quer ver nossos filhos saudáveis e felizes, mas se ele decidir ser artesão, eu vou gostar”, comenta.

Bento de Sumé

Bento Medeiros Gouveia atua há 23 anos no artesanato com madeira. Natural da cidade de Sumé, na Paraíba, que rendeu o apelido pelo qual é conhecido, ele teve um longo caminho antes de chegar às artes. Vivendo em São Paulo, foi ajudante de caminhoneiro por 18 anos até ser atropelado, acidente que o obrigou a ficar 4 anos parado e com a renda comprometida.

Durante um passeio, encontrou um palete na rua e decidiu levá-lo para casa. Da peça nasceram os primeiros passarinhos, uma girafa e uma Nossa Senhora Aparecida, trabalho que serviu como terapia. “Um vizinho viu e insistiu para eu levar a uma feira, mas eu não consegui e acabei dando as peças para as crianças do bairro”, conta.

Bento de Sumé tem dois filhos e começou no artesanato depois de um acidente — Foto: Paiol / Divulgação

De volta a Sumé, ele começou a trabalhar com a umburana, madeira abundante na região. Com o sucesso de duas criações entre os turistas, passou a vender as peças em feiras e lojas, tornando-o um dos principais nomes do artesanato paraibano. A arte ajudou Bento a criar os dois filhos, que, hoje, moram em São Paulo e não seguiram a profissão do pai.

Getúlio Lima Francisco

Pai de dois filhos, um de 12 anos e outro já adulto, Getúlio começou no artesanato há cerca de 2 anos. Antes, ele trabalhava como pedreiro até machucar a coluna e ser mandado embora, em 2019.

Morador de Campo Alegre, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, uma das mais importantes regiões cerâmicas do Brasil, ele não enxergava o artesanato como uma possibilidade de trabalho. “Essa sempre foi uma atividade muito feminina, para complementar a renda, mas até pouco tempo atrás não era comum ver gente sustentando a casa com a cerâmica”, revela.

Getúlio é pai de dois filhos e começou no artesanato há dois anos e meio — Foto: Alexadre Disaro / Divulgação

Com tempo livre na pandemia, decidiu participar oficinas de criação, uma delas, promovida por Lucas Lassen com artesãos locais junto ao Instituto Sociocultural do Jequitinhonha. Acabou gostando do ofício e, atualmente, junto à esposa, produz vasos e flores usando as técnicas e tradições que dominam a região há mais de seis gerações.

“Meu filho mais novo já começa a fazer uma peça ou outra. E essa é uma das coisas mais valiosas que o artesanato tem me trazido: a possibilidade de estar dentro de casa e vendo meu filho crescer junto comigo”, destaca.

Eventos na CASACOR trazem intervenção artística e roda de conversa sobre o papel feminino no setor

Live Painting e bate-papo ressaltam a força da produção feminina

Matéria publicada pelo site https://gazetadasemana.com.br/noticia/125168/eventos-na-casacor-trazem-intervencao-artistica-e-roda-de-conversa-sobre-o-papel-feminino-no-setor
Divulgação

Em cartaz em São Paulo até o começo de agosto, a CASACOR acontece no Conjunto Nacional, no centro da cidade. No dia 26 de julho, próxima quarta-feira, algumas atividades estão previstas, trazendo uma intervenção artística e discussões sobre design, decoração, arte, responsabilidade social e o papel das mulheres em todas estas áreas. 

Bate-papo | Mulheres no Design, Arte, Artesanato e sua Responsabilidade Social

Buffet Abrigo, peça de Maria Fernanda no Ku’Ya, espaço de Stefanie Ribeiro que também reúne peças de Emediato e Suguikawa

Às 16h, em um bate-papo no Caracol Bar, espaço da Viganó Arquitetura, Stefanie Ribeiro,  Maria Fernanda Paes de Barros, Maria Helena Emediato e Karol Suguikawa discutem a participação da mulher nos campos do design, da arte e do artesanato. Com projetos que mesclam expressão criativa, sustentabilidade e responsabilidade social, seus trabalhos têm contribuído para questionar a hegemonia patriarcal no setor. 

Na conversa, elas devem discutir projetos colaborativos que visam o desenvolvimento comunitário, o uso do design como instrumento de transformação social, a arte e o design como ferramenta de inclusão de mulheres pretas, indígenas, quilombolas, rurais, LGBTQIA+, além de trazerem exemplos de parcerias com responsabilidade social.

“É uma oportunidade de ouvir mulheres de diferentes idades, etnias e experiências distintas, mas que têm usado seus potenciais criativos para criar projetos de impacto”, afirma Maria Fernanda.

Live Painting com a artista Ju Amora | Espaço Refúgio Conexão

Cores e Mãos do Cerrado fazem parte do Espaço Refúgio Conexão, de Isabella Nalon, que ressalta o feito à mão

No mesmo dia, das 14h às 19h, o espaço Refúgio Conexão, da arquiteta Isabella Nalon, recebe uma ação de live painting com a artista Ju Amora, que ficou nacionalmente conhecida por suas pinturas artísticas em bancos de madeira.

Sua primeira participação na CASACOR se dá por conta da coleção Cores e Mãos do Cerrado, que traz vasos artesanais de cerâmica produzidos por artesãos do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. “A pesquisa envolveu um estudo das diversas cores e referências culturais encontradas no bioma cerrado, o que nos permitiu chegar a uma paleta e a desenhos que ressaltam as características físicas e ambientais da região”, revela. 

Idealizada por Lucas Lassen, diretor criativo da Paiol, loja de arte popular e artesanato de tradição, a coleção é resultado de uma integração de saberes e fazeres artísticos, tendo como objetivo estimular a criação e a versatilidade de técnicas ancestrais produzidas na região. 

A ação é uma iniciativa de Isabella Nalon, Paiol, Casa Bonita e CASACOR. Ao final, os vasos serão doados a uma instituição escolhida pela equipe da CASACOR. 

SERVIÇO

Live Painting –  CASACOR
26 de julho de 2023 | Quarta-feira 
Onde: 
Espaço 40 | Isabella Nalon Arquitetura e Interiores | Das 14h às 19h
Caracol Bar | às 15h
Conjunto Nacional | Avenida Paulista. 2073 – São Paulo, SP