Trabalho de artesãs exalta as tradições do Natal por meio de presépios

Conheça a história e as técnicas usadas por três artesãs de diferentes regiões do Brasil

Por Redação Casa e Jardim

Variados estilos de artesanato, passando por argila, palha de milho e arte naïf, revelam as interpretações de três artesãs para o tradicional presépio de Natal. Na imagem, trabalho da artesã Fatinha — Foto: Alexandre Disaro / Divulgação

O presépio é uma forma de celebrar o nascimento de Jesus Cristo na época de Natal e faz parte do imaginário popular e de criações artísticas e artesanais de diferentes regiões do Brasil – país que tem sua fundação fortemente ligada às tradições católicas e ainda mantém mais de 70% da população adepta ao cristianismo.

Através de diferentes técnicas, artesãos de todo o país fazem suas interpretações dos presépios, que remetem à relação cristã com a data. Mas nem sempre foi assim. Embora haja consenso entre historiadores de que a celebração nesta data, antes de Cristo, estava associada ao solstício de inverno para o Império Romano, só muitos séculos depois é que ela passou a integrar o calendário cristão com este significado.

O presépio é a representação de uma cena clássica carregada de simbologias e reproduzida há vários séculos por artistas com técnicas e estilos distintos. O que não pode faltar é a união dos três personagens principais, Jesus, Maria e José, que, eventualmente, estão cercados por ovelhas e outros elementos cênicos.

“Na arte popular, temos algumas artistas que passam por referências remetendo à arte naïf e às figurativas, sempre buscando trazer esta cena que está intimamente ligada à compreensão ocidental do que é o Natal”, explica Lucas Lassen, curador e diretor criativo da Paiol, loja especializada em artesanato de tradição e arte popular brasileira.

Para conhecer um recorte da interpretação artística dessa tradição, listamos o trabalho de três artesãs de diferentes regiões do Brasil. Confira abaixo!

Angela Sampaio – Taubaté, São Paulo

Angela Sampaio, do grupo Figureiros de Taubaté, de São Paulo, cujas criações remetem à arte naïf — Foto: Divulgação

Nascida em Taubaté, no interior de São Paulo, Angela Sampaio pertence à terceira geração da família no artesanato. Sua relação com o barro, portanto, começou na primeira infância: quando tinha por volta dos 8 anos, na década de 1960, começou a usar a argila despretensiosamente para reproduzir tudo o que via.

“Para ter com o que brincar, eu comecei a criar cachorros sentados, deitados, em pé ou se espreguiçando. Depois, passei a reproduzir as pessoas, as casas e tudo aquilo que me chamava a atenção”, conta a artesã, que, junto da mãe e dos irmãos, costumava buscar a argila às margens do rio Itaim, que corta a região do Vale do Paraíba.

Após várias décadas usando o barro para recriar cenas do cotidiano, o ofício se tornou a sua principal fonte de renda. Em seu atual portfólio, os animais continuam presentes, mas foram incluídos, sobretudo, personagens de festas populares, santos e outros símbolos religiosos.

Presépio “Chuva de Pássaros”, de Angela Sampaio, sintetiza seu portfólio formado por animais, personagens de festas populares, santos e outros símbolos religiosos — Foto: Divulgação

Suas obras remetem à arte naïf, termo francês que significa o trabalho autodidata retratando a verdade, a natureza sem artifício ou esforço, como no caso de Angela, inspirada pelos reflexos de seus sentimentos e espontaneidade.

Pertence ao grupo Figureiros de Taubaté, que, atualmente, reúne pouco mais de 20 artesãos, sua história com a confecção dos presépios também começou com sua avó, que costumava criar peças sob encomenda para religiosos e até igrejas da região. “Eu gosto mesmo é de fazer as peças pequenas. Quanto menor a obra, mais eu me encanto”, revela.

Fatinha de Olhos D’água – Alexânia, Goiás

Fatinha de Olhos D’água, de Alexânia, Goiás, usa palha de milho em suas obras — Foto: Divulgação

A história com o artesanato da mestra artesã Maria de Fátima Bastos, popularmente conhecida como Fatinha, começou ainda criança. Neta e filha de artesãs, ela cresceu vendo as duas tecendo manualmente colchas de algodão e produzindo bonecas de pano.

Por volta 7 anos, para driblar a infância humilde com criatividade, ela passou a usar a palha de milho das plantações dos arredores de Olhos D’água, vilarejo de Alexânia, no interior de Goiás, para produzir bonecas.

A profissionalização veio em 1999, após participar de uma rodada de negócios. Foram tantos os pedidos, que percebeu necessitar de ajuda. “Com isso, eu passei a ensinar vizinhos, amigos e alguns jovens da cidade”, lembra.

Tradicional presépio de Fatinha de Olhos D’água, com amarrações de palha de milho — Foto: Divulgação

Católica, algumas de suas peças que mais se destacam estão ligadas às manifestações culturais e símbolos do catolicismo. Seus tradicionais presépios, feitos a partir de amarrações da palha, são reconhecidos em todo país e fora dele. Inclusive suas santas de palha foram oferecidas como um presente do Brasil ao Papa Francisco em uma de suas visitas ao país.

Edneide Vitalino Neta – Caruaru, Pernambuco

A artesã Edneide Vitalino Neta, de Caruaru, Pernambuco, que trabalha com o barro — Foto: Divulgação

Edneide Vitalino faz parte de uma das famílias mais tradicionais da arte popular pernambucana. Neta do Mestre Vitalino, principal expoente da arte figurativa brasileira, ela começou no artesanato aos 8 anos. Desde então, não parou mais, e já são 47 anos de vida trabalhando com o barro.

A inspiração da artesã, terceira geração da família, vem do cotidiano do agreste e das vivências nordestinas. “A influência do meu avô no trabalho dos artesãos da região é muito forte, então, o que eu faço tem a mesma linguagem das peças deles. A vida no campo, os bois, as festas populares, os músicos do forró, tudo me serve de inspiração. Mas os presépios, eu aprendi com a minha mãe, que sempre esteve ligada às figuras religiosas”, conta.

Presépio de Edneide Vitalino retrata sua inspiração, que vem do cotidiano do agreste e das vivências nordestinas — Foto: Divulgação

Ao lado de seus outros 12 irmãos – todos envolvidos com a arte popular – ela tem contribuído para manter viva a tradição que transformou a região de Caruaru no maior centro de arte figurativa das Américas, reconhecida internacionalmente por figuras como o Boi, o Cangaceiro e as peças que retratam famílias retirantes.

Entre Fragmentos e Frestas | Museu Janete Costa de Arte Popular

Se você ainda não visitou a exposição “Entre Fragmentos e Frestas”, essa é a sua chance!

  • 09/09/20 à 30/04/21
  • Abertura: 09/09/20 às 10:00h
  • Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado, Domingo das 10:00h às 18:00h
  • Rua Presidente Domiciano, 178 – Ingá Niterói – RJ


Com uma nova data de encerramento, 30 de Abril, a mostra evidencia a diversidade, a resistência e resiliência da cultura afro-brasileira, através de aproximadamente 80 obras de 50 dos maiores mestres brasileiros.

A exposição apresenta cerca de 80 obras, de 50 artistas, como Izabel Mendes, Agnaldo Santos, Itamar Julião, Chico Tabibuia, Jadir João Egídio, Mestre Didi, Mestre Guarany, Wuelyton Ferreiro, Maurino Araújo, Benedito, entre outros, cujas descendências africanas, além do alto nível de criação plástica, se manifestam, por meio da arte. Os trabalhos fazem parte das Coleções de Jorge Mendes e Jorge Guedes, Irapoan Cavalcanti e Galeria Pé de Boi. Curadoria e cenografia de Jorge Mendes.

Logo na entrada da mostra, o público pode ver uma escultura de Dona Izabel Mendes, ceramista e símbolo de resistência, que transformou o barro em arte, abrindo caminhos para que as pessoas de sua comunidade tivessem um ofício e uma melhor qualidade de vida. O objetivo é apresentar mestres da arte brasileira, onde a negritude, a ancestralidade africana e a contemporaneidade se manifestam, através das obras e propõe um diálogo com o momento atual do Brasil, onde tentativas de censura, racismo e intolerância religiosa são diariamente vivenciados.

fonte: https://dasartes.com.br/agenda/entre-fragmentos-e-frestas-museu-janete-costa-de-arte-popular/

Giovanna Antonelli + Westwing + Loja Paiol: mais que uma casa, um refúgio

No destaque a obra Cabeça, da artista peernambuca, Cida Lima.

A @lojapaiol acredita que decoração é alma e aconchego, e que quando mudamos a casa renovamos também a vida e que cada peça nos conta uma história.

Westwing + Giovanna Antonelli: um refúgio com bossa carioca

A atriz @giovannaantonelli nos apresentou o projeto de sua casa renovada, em parceria com a @westwingbr, no Rio de Janeiro.  O resultado ficou lindo e estamos muito felizes de fazer parte do projeto de decoração com uma Cabeça da ceramista Cida Lima, artista pernambucana e uma das mais importantes da nova geração de artistas populares.

https://www.westwing.com.br/revista/homestories/giovanna-antonelli-westwing-mais-que-uma-casa-um-refugio/

Campanha Paiol na Westwing

Artesanato brasileiro para sua casa

Terminará hoje, 17/02, a Campanha em parceria com a Westwing. Estamos felizes em celebrar este encontro que fortalece muito a produção autoral e artesanal no Brasil.

“Há mais de 10 anos, a Paiol se dedica à busca por objetos artesanais representativos das mais importantes tradições de cada região do Brasil. Mestres consagrados, artistas novos, produções de tribos indígenas formam uma vitrine do que há de mais interessante na arte popular brasileira. Venha viajar por essa curadoria!” Westwing


Término: hoje 23:59 h


111 anos do nascimento do maior poeta popular do Brasil: Patativa do Assaré

Artigo: O ser tão Patativa do Assaré

“05 de março de 2020 comemora-se os 111 anos de nascimento do maior poeta popular do Brasil: Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré. Para comemorar esta data, o Governador Camilo Santana sancionou em 2018 duas importantes leis de valorização da obra e da vida do poeta. A Lei nº 16.510/2018 que inclui a “Festa de Patativa do Assaré” (no dia 5 de março, em Assaré) no calendário oficial do Turismo e Cultura do Estado em parceria com a Prefeitura Municipal de Assaré e a Lei nº 16.511/2018 que cria a “Comenda Patativa do Assaré”, destinada a agraciar pessoas que tenham prestado ou prestem notórios serviços em prol do desenvolvimento da cultura popular e tradicional brasileira.

Na data de hoje estamos celebrando a vida e a obra de Patativa em sua cidade natal, realizando a entrega da Comenda e lançando o livro “O melhor de Patativa do Assaré”, organizado pelo professor Gilmar de Carvalho. Os agraciados da Comenda neste ano foram o cineasta Rosemberg Cariry; o pesquisador e jornalista Gilmar de Carvalho; a cordelista Josenir Lacerda; o cantor e compositor Raimundo Fagner; e o pesquisador e escritor Oswald Barroso.

O livro “O melhor do Patativa do Assaré”, editado pelas Secretarias da Cultura e da Educação do Estado do Ceará em parceria com a Fundação Instituto Patativa do Assaré e organizado pelo professor Gilmar será distribuído em escolas, bibliotecas, dentre outros espaços educativos e culturais. Mas o objetivo é estabelecer o contato e o tato de crianças e jovens, de professores e estudantes com a obra de Patativa do Assaré para que possam ler em voz alta e com o coração livre a sua poesia que diz tanto da gente por estar tanto em nós.

Patativa do Assaré é um intérprete do sertão e do sertanejo. O sertão está dentro de Patativa e ele dentro do sertão. Atravessa e é atravessado pelo sertão. Toda sua obra é uma travessia sertaneja de tradução e de criação literária de seu chão e de seu lugar no Brasil a partir do sertão caririense, cearense e nordestino. O sertão é sua geografia e seu tempo. O sertão é o seu grande livro aberto.

Patativa do Assaré é um clássico. E como tal, sempre o estaremos lendo e relendo-o, revistando-o e redescobrindo sua obra porque ela já faz parte de nosso inconsciente coletivo, de nossa memória social, de nossa identidade e patrimônio cultural.”

Texto de: 
Fabiano dos Santos Piúba
Secretário da Cultura do Estado do Ceará
Autor do livro Patativa do Assaré – o poeta passarinho. Editora Demócrito Rocha.

8M: as mulheres da arte popular brasileira!

No Dia Internacional da Mulher não poderíamos deixar de fazer uma seleção de obras de algumas artistas incríveis do nosso país! 

A arte tem sido responsável pelo empoderamento financeiro de muitas mulheres que sustentam a família com a renda desse trabalho.

Cerâmica, crochê, madeira, tecido, pintura, papel, bordado e tantos outros materiais são transformados pelas mãos das artistas e a PAIOL trabalha para levar esses trabalhos para o maior número de pessoas possível!

Cida Lima

Com apenas oito anos de idades, Cida Lima começou a moldar o barro para ajudar a família no sustento da casa, em Belo Jardim, Agreste de Pernambuco. Já trabalhou como faxineira e viu a vida dar uma guinada quando criou as cabeças. O sucesso das cabeças de cerâmica foi imediato! Hoje ela diz que se sente realizada e que nunca pensou chegar onde chegou com seu trabalho manual. 

Carolina Leão

Carolina é formada em Artes Plásticas pela UFBA e seguiu a carreira dando aula para crianças do ensino fundamental, mas viu em seu hobby uma forma de empreender! Para se dedicar mais à arte, precisou deixar a sala de aula. Começou usando o material que tinha acesso: papel machê. Com o tempo foi conhecendo pessoas, fazendo parcerias e sendo reconhecida. Seu trabalho ganhou visibilidade e passou a ser comercializado em vários estados brasileiro. Hoje ela conta com ajuda da família e de uma funcionária, ex-aluna, em seu ateliê montado em casa.

Mulheres do Vale do Jequitinhonha

A arte dessas mulheres é única e poderosa, pois transformou a vida de muitas delas, empoderando famílias inteiras.

O Vale do Jequitinhonha é uma região no norte do estado de Minas Gerais e a produção ceramista local é tradicionalmente feita por mulheres como forma de renda para superar as adversidades locais. Ali desenvolveu-se em uma estética singular! Artistas como Zelia, Elizangela, Lilia e Anísia Lima criam vários produtos como os das fotos, entre tantos outros. Hoje, filhas das artistas já seguem os passos das mães, num trabalho que passa por gerações!

Nené Cavalcanti

Nené Cavalcanti, artista que assina essas bonecas lindas, nasceu em Alagoa Nova, Paraíba. Teve uma vida simples no sertão e usava barro para suas brincadeiras de infância. Esse foi o primeiro contato com a modelagem. Depois de atuar em outras áreas, formou-se em artes plásticas e voltou ao seu passatempo de infância, mas dessa vez para revelar definitivamente seu talento como ceramista.⠀

O trabalho de Nené virou referência estética no estado e já ganhou vários prêmios. A artista tem o feminino como o seu principal tema e coloca no barro metais reciclados sem perder a delicadeza.⠀

Ana das Carrancas - Pernambuco

Mulheres artistas de Grão Mogól - Minas Gerais⠀

Mestra Neguinha - Pernambuco

Figureiras de Taubaté⠀

Conheça a origem e os benefícios do Filtro de Barro!

Os filtros de barro, originalmente, têm carinha de casa de vó. Para muita gente, a peça tem um significado afetivo, lembra infância e a cozinha dos avós, com água sempre fresca.

Muito tradicional, o Filtro de Barro existe no Brasil desde cerca de 1910. Inicialmente era produzido pelos italianos e portugueses que chegaram em São Paulo. As velas para filtrar água já existiam na Europa e foram trazidas por esses imigrantes.

A história não tem registros da identidade da pessoa que fez o primeiro Filtro de Barro, mas é possível que a peça – no formato tradicional que conhecemos, seja uma invenção brasileira, evolução das moringas de origem indígena.

Como o barro mantém a água até 5 graus abaixo da temperatura ambiente, o sucesso dos filtros foi imediato.

Os benefícios

Entre os benefícios do filtro de barro está a facilidade em manusear e manter, não precisar de energia para funcionar e a montagem ser simples. Com tudo instalado e pronto, é possível ter água potável e fresca sem a necessidade de fervura ou aplicação de produtos químicos.

Com a peça você não precisa mais comprar galões de água, diminui o descarte de plástico na natureza, tem sempre água fresquinha com pureza e sem gerar mais custos mensais.

A qualidade e eficiência no processo de tratamento da água dos filtros de barro são comprovadas internacionalmente.

Para a manutenção, não é preciso usar nenhum tipo de produto químico na limpeza da vela. Uma esponja suave é suficiente e não deve se forçar a limpeza para não prejudicar a base. É importante anotar o dia em que a vela foi instalada para que se saiba quando fazer a troca: a cada seis meses ou pelo menos 500 litros de água filtrada.

É super comum a água apresentar sabor característico nos primeiros litros filtrados, mas isso desaparece com o tempo. Por isso é importante descartar a primeira filtragem, pois ela limpa o filtro e ativa a vela. Depois dessa primeira filtragem você já pode beber água limpa e saudável!

Vale do Jequitinhonha

Os famosos filtros feito por mulheres do Vale do Jequitinhonha que ilustram este post vieram para abandonar o conceito de ser “brega” ter um filtro de barro! Com tamanhos, cores, estampas e formatos diferentes, as mulheres produzem com suas próprias mãos filtros maravilhosos e exclusivos.

Desde o processo de moldar a peça até a pintura, tudo é feito artesanalmente, respeitando o tempo de secagem e de produção das peças.

Uma das tantas mulheres que produzem esse trabalho é a ceramista Anísia Lima. Confira no vídeo um pouco do trabalho maravilhoso dessa artista!

O que é a Quarta-feira de Cinzas?

Quarta-feira de Cinzas é a data que marca o início da Quaresma no calendário Cristão ocidental.

Foi instituída há muito tempo na igreja e ocorre 40 dias antes da Páscoa – sem contar os domingos.

A data é entendida pela Igreja como o início de um período de devoção marcado por orações e jejuns, como parte da penitência que todo cristão deve realizar, segundo os princípios da Igreja Católica.

Simbologia

Além de ser o primeiro dia da Quaresma, a Quarta-feira de Cinzas encerra o Carnaval. Conhecido como a celebração da carne, ao longo da história o Carnaval ficou marcado por ser um período de muitas festas e consumo de bebida e comida. Diante disso, a Quaresma convoca os cristãos para um período de orações e jejum.

Na Quarta-feira de Cinzas, a Igreja Católica realiza uma missa especial onde os fiéis recebem uma marca em forna de cruz na testa, feita com cinzas.

Foto: Wesley Almeida/ cancaonova.com

Esta marca é um símbolo justamente para a reflexão sobre a mudança de vida, o arrependimento, reconhecimento da nossa mortalidade e que necessitamos da graça divina para perdoar nosso pecados.

Durante a quarta-feira de cinzas os católicos são orientados a fazer jejum ou no mínimo ficam sem comer carne.

Significado

As cinzas usadas na missa vêm de ramos abençoados e queimados no domingo de ramos do ano anterior. Elas simbolizam a morte.

Assim como os ramos que eram vivos e viraram pó, um dia nós iremos morrer e os nossos corpos também serão apenas cinzas, segundo a tradição cristã.

Para os antigos judeus, sentar-se sobre as cinzas significava arrependimento dos pecados e volta para Deus.

A imposição de cinzas surgiu na Igreja Primitiva e foi incorporada como um ritual sacramental da Igreja Católica por volta do século XI.

Carnaval Brasileiro

Vimos neste post aqui que o Carnaval não é uma invenção brasileira. 

Comemorado em muitos lugares do mundo, chegou no nosso país com os colonizadores – por meio do “’entrudo”, uma brincadeira popular em Portugal.

A prática se estabeleceu no país e foi muito popular, mas desapareceu aos poucos  por conta da repressão contra a brincadeira. Nela, pessoas sujavam as outras com água, farinha, terra e até coisas podres.

Entrudo em Arraias (TO). Fonte: Portal UFT

Com o passar do tempo o Entrudo deixou de ser festejado e deu lugar ao Carnaval com bailes e desfiles glamourosos. 

Como era algo para a elite, onde se cobravam valores altos para entrar nos clubes e bailes, as classes baixas começaram a festejar nas vias públicas.

Assim foram surgindo os blocos, grupos de maracatus, frevos e escolas de samba.

A partir daqui, o Carnaval assumiu a posição de maior festa popular do Brasil!

Desfiles

Alberto Ikeda, pesquisador de música e cultura popular brasileira, professor colaborador do programa de pós-graduação da ECA-USP e aposentado pelo Instituto de Artes da Unesp explica que no século 19 começaram a surgir clubes e sociedades carnavalescos no Rio de Janeiro, onde pessoas de elite se juntavam para uma espécie de desfile de carros alegóricos. Por influência dos negros, a banda foi substituída por baterias de escola de samba.

“Enredo: nota… deeeez”
A disputa por agremiações, como acontece hoje, é algo bem mais recente. A competitividade das sociedades carnavalescas deu origem a essa disputa. “O carnaval que a gente tem hoje começa ao final da década de 1920, quando surge uma escola de samba no Rio chamada Deixa Falar, e logo em seguida, em 1929, a Mangueira. A partir de 1933, há grupos suficientes para começar a ter uma espécie de competição, com o desfile das escolas de samba, que contam predominantemente com a presença negra“, explica Alberto Ikeda.

Na época o Rio de Janeiro era a Capital do Brasil e por isso era uma referência cultural, o que ajudou a espalhar o costume para outras cidades.

As escolas de samba passaram a se tornar uma importante atividade comercial e a partir da década de 1960 empresários começaram a investir na tradição cultural. Em seguida, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a de São Paulo criaram estrutura para o evento.

Em 1984 foi criado o Sambódromo (ou a Passarela do Samba) no Rio, com desenho arquitetônico de Oscar Niemeyer.

Foto: rio-carnival.net

Além das escolas de samba

O Carnaval é comemorado de diversas formas pelo Brasil. 

Diferente dos desfiles do Rio e de São Paulo, na Bahia surgiram os afroxés (ritmo musical).

Em Pernambuco a festa conta com os bonecos gigantes.

O Carnaval da Bahia é um dos mais animados do país, em especial em Salvador!

Tem ainda o frevo em Recife e o maracatu em Olinda.

De onde surgiram os Bonecos Gigantes de Olinda?

Construir bonecos gigantes é uma tradição que surgiu na Europa, por volta da Idade Média, onde eram utilizados em procissões em forma de santos católicos.

Chegaram ao Brasil, especificamente em Pernambuco, com os europeus. Na cidade de Belém de São Francisco, sertão do estado, um padre belga contava sobre a tradição dos bonecos, despertando a curiosidade e imaginação do povo.

Um jovem sonhador que ouvia as histórias do padre sobre o uso de bonecos nas festas religiosas da Europa quis fazer igual. Assim, o primeiro boneco chamado Zé Pereira foi às ruas durante o carnaval de 1919.

Em 1929 surgiu a boneca companheira de Zé, batizada de Vitalina.

Eles eram confeccionados de papel machê e madeira.

Olinda

De Belém de São Francisco, os bonecos ganharam as ladeiras de Olinda poucos anos depois. Confeccionado pelos artistas plásticos Anacleto e Bernardino da Silva, surgiu o Homem da Meia Noite.

Segundo o conhecimento popular, todos os dias, exatamente à meia-noite, um homem muito bonito seguia a pé pela Rua do Bonsucesso. Ele fazia sempre o mesmo caminho. Depois de um certo tempo, as moças da rua descobriram a rotina dele e passaram a esperar, escondidas, atrás das janelas, para admirar o belo homem que atravessava a rua.

A fama desse costume foi se espalhando e virou uma brincadeira de carnaval.

Fizeram um boneco bem grande, todo bonito e elegante, de terno, gravata e chapéu, para passar à meia-noite, começando a festa de carnaval, na sexta-feira. Curiosidade: até hoje, o boneco faz o mesmo percurso do Homem da Meia-Noite. Depois dele, surgiram a Mulher do Meio-Dia, o Menino da Tarde entre outros.”*

programacaoFoto: carnavalrecife.com.br

Assim, virou tradição a criação do Encontro dos Bonecos Gigantes, onde vários bonecos de diversos artistas se encontram para um grande desfile pelo sitio histórico de Olinda na terça de carnaval.

Nova Geração dos Bonecos

Em 2008, o empresário e produtor cultural Leandro Castro criou uma nova geração dos Bonecos Gigantes, junto com uma equipe de artistas. Juntos construíram grandes nomes da história e cultura brasileira, além de personalidades mundiais como: Mauricio de Nassau, D. Pedro I, Lampião, Michael Jackson, Luiz Gonzaga, Ariano Suassuna, Dominguinhos, Chacrinha, Alceu Valença, Chico Science, Elba Ramalho, Pelé, Jô Soares, Neymar, Os Beatles, Rita Lee, Roberto Carlos, David Bowie, Elvis Presley, ente outros.

Sineide e Leandro Castro

Como a nova geração dos bonecos tem impressionado muito pelo realismo das expressões faciais e figurinos, ganharam o título de museu de cera popular itinerante.

Os artistas conseguiram o realismo das expressões com os materiais usados: matriz moldada em argila e depois uma aplicação em fibra de vidro, material mais leve e duradouro. As mãos dos bonecos são de isopor, para não machucar os foliões durante as apresentações.

A altura média é de 3,90m.

Embaixada de Pernambuco

Em Recife os bonecos permanecem em exposição o ano inteiro na Embaixada de Pernambuco – Bonecos Gigantes de Olinda localizada na Rua Bom Jesus, 183 no Recife Antigo.O acervo da Embaixada atualmente ultrapassa mais de 340 bonecos.

Fotos: http://www.bonecosgigantesdeolinda.com.br

A Embaixada de Pernambuco dos Bonecos Gigantes de Olinda nasceu da necessidade do turismo de Recife e Olinda em receber turistas e locais para contemplar a nova geração dos Bonecos em um espaço cultural o ano todo, não somente no carnaval.

A visita é monitorada por um guia. 

Passaporte:
Adultos R$ 15,00 (Quinze reais).
Criança com até 12 anos de idade acompanhada pelos pais entra de graça.
(Limitado a 02 crianças por família)
Consulte valores para grupos pedagógicos.

Horário de Funcionamento:
Diariamente das 08:00h às 18:00h.
Abre nos feriados – exceto no Carnaval (do sábado até a terça), 25 de dezembro e 01 de janeiro.

Contato: 55 (81) 3441.5102 / 98775.0540 (TIM / WhatsApp)
E-mail: leandro@bonecosgigantesdeolinda.com.br

*Trecho retirado de: http://www.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2013/02/qual-a-origem-dos-bonecos-gigantes-de-olinda

Fonte: Fontes: wikipedia, bonecosgigantesdeolinda.com.br, EBC

Bonecos de Olinda em mandeira, disponível na loja Paiol